A volta à Shikoku em 88 templos

Enmyō-ji (円明寺) é o templo 53/88, localizado na província de Ehime
Enmyō-ji (円明寺) é o templo 53/88, localizado na província de Ehime

“Shikoku O-Henro” ou Peregrinação de Shikoku é a rota de 1.200 Km que passa por 88 templos budistas localizados na ilha de Shikoku, a menor ilha, das quatro principais do Japão. Diz-se que esse caminho foi percorrido há cerca de 1.200 anos, pelo monge Kukai (nomeado postumamente como Kobo Daishi) para seu próprio treinamento e que seu espírito continua na região. O monge é considerado o fundador do budismo esotérico japonês, conhecido como Shingon (palavra verdadeira).

A peregrinação de Shikoku é tida como uma jornada para culto e treinamento espiritual ou como uma jornada de autoconhecimento. Ao longo do caminho, o peregrino se aproxima de um Japão antigo, rodeado cidades pequenas e de paisagens naturais intocadas como o monte Ishizuchi (conhecido como o monte Fuji de Shikoku) e as águas calmas do Mar Interior de Seto.

Mapa indicando os 88 templos
Mapa indicando os 88 templos

O templo número um é o Ryozen, que fica na província de Tokushima. Na ilha, há quatro províncias: Ehime, Kagawa, Kochi e Tokushima. Apesar haver numeração crescente de 1 a 88, algumas pessoas percorrem o caminho inverso, começando pelo templo Okubo, em Kagawa. Porém, nada impede, também, que o peregrino siga em ordens diferentes, que melhor lhe for conveniente. Em cada templo, os visitantes podem coletar as estampas dos carimbos para registrar a passagem pelos locais.

O kongou-zue é a representação do monge Kobo Daishi e nele coloca-se a inscrição “Nós dois peregrinos, juntos”O kongou-zue é a representação do monge Kobo Daishi e nele coloca-se a inscrição “Nós dois peregrinos, juntos”Durante a peregrinação, é comum o viajante seguir o caminho com o auxílio de um apoio de madeira. Esse apoio, também usado por aqueles que escalam montanhas, é chamado de kongou-zue ou kongou-jo. Ele é como se fosse a representação do monge Kobo Daishi e nele coloca-se a inscrição “Nós dois peregrinos, juntos”, ou “Nós dois viajando como um”.

O percurso normalmente era seguido a pé, mas hoje também tem quem vá de meios de transporte como bicicleta, ônibus e carro. Independentemente da forma que se alcança os locais sagrados, os peregrinos sempre poderão contar com a hospitalidade dos habitantes locais ou mesmo com a de outros companheiros que encontram pelo caminho.

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Fotos: Karin Kimura


Projeto Templo por Templo

As americanas Chelsea e Elayna vivem em Shikoku há três anos e resolveram experienciar os caminhos de Kobo Daishi. Foram duas semanas em que as duas viajaram de bicicleta para cumprir a rota da peregrinação. Nesse período, as viajantes passaram por pessoas, lugares e situações que até então não haviam conhecido.

Pensando em compartilhar essas experiências as duas americanas resolveram criar um projeto no Kickstarter (plataforma de arrecadação de fundos para financiar projetos) chamado Temple by Temple (para mais informações sobre o projeto, clique aqui).

Com o valor arrecadado, a ilustradora Elayna e a escritora Chelsea vão criar livros feitos à mão, contando as peripécias de Kouta, um gatinho que acompanha sua dona na Peregrinação de Shikoku.

Além do livro, outras lembranças como fotografias, braceletes e ilustrações em washi (papel de arroz) são oferecidos aos colaboradores.

Veja o vídeo do projeto

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