O sabor do Shochu

ShochuQuando pensamos em bebida alcóolica consumida por japoneses logo vem a cabeça o saquê. No entanto, é um outro produto que ganha cada vez mais apreciadores, tanto no arquipélago quanto no resto do mundo. Estamos falando do shochu, uma bebida que até pouco tempo era considerada de segunda categoria, mas que nos anos 80 começou a ganhar cada vez mais admiradores

Uma das características do shochu é que ele pode ser destilado a partir de vários ingredientes – desde os mais comuns como a batata-doce, cevada, arroz, açúcar mascavo, até os mais exóticos como leite, abóbora e castanhas. Este ano, a MN Shotyu lançou no Brasil o Hakkon. A grande novidade desse shochu é a sua matéria-prima, um alimento tipicamente verde-amarelo: a mandioca.

O processo de fabricação é composto por duas destilações. Há quem compare a bebida com a vodka, outros a associam ao whisky. No Brasil, o shochu ficou popularmente conhecido como a “pinga japonesa”. O teor alcóolico desse destilado pode variar de 15% a 45%, sendo que os mais tradicionais se mantém no nível de 25%.

De onde veio?
Não se sabe qual a origem do shochu no Japão. Mas registros antigos deixam uma pista: as primeiras descrições sobre essa bebida, datadas do início do século XV, foram encontradas na província de Kyushu.

Há ainda evidências de que as técnicas de sua produção foram introduzidas no arquipélago através da Indo-China, passando pela Coréia. Posteriormente, elas chegaram em Okinawa, até atingirem a província de Kagoshima, que atualmente é uma das maiores produtoras da

Curiosidades

– Ano todo – O shochu combina tanto com o inverno como com o verão. Ele pode ser apreciado misturado à água quente ou fria, e consumido durante as refeições.

– Longevidade – O shochu tornou-se muito mais conhecido devido a Shiguechiyo Izumi, um cidadão japonês que até recentemente era o detentor do recorde mundial de longevidade (120 anos). Ele consumia o shochu todos os dias. Este fato foi mencionado junto com seu recorde no Guinness Book. Por isso, muito já se especulou sobre os poderes da bebida de promover uma vida longa, mas não há nenhuma comprovação científica.

– Medicinal – Durante o período Edo (1603 – 1868) o shochu era usado como remédio. A bebida era ingerida como tratamento para curar congestão do sangue ou hiperemia, feridas e cortes, mordidas de insetos, e ainda para combater as dores nas costas.

Reportagem: Lívia Maria de Souza