App Hey Amigo conecta voluntários a pacientes em tratamento

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Na fase inicial, aplicativo oferece carona e acompanhamento Divulgação

Um grupo de empreendedores lançou o aplicativo Hey Amigo, cujo objetivo é conectar voluntários a pacientes em tratamento médico de longo prazo.

O aplicativo, sem fins lucrativos, não é aberto ao público em geral. A plataforma consiste em um site de administração (para uso de instituições como hospitais) e aplicativos para voluntários e pacientes; é necessária aprovação de cadastro.

Na primeira versão do aplicativo, é possível solicitar carona e acompanhamento em procedimentos médicos. “No momento, pretendemos manter e melhorar essas funcionalidades. Conforme o uso e o recebimento de opiniões dos pacientes, voluntários, hospitais e ONGs, poderemos saber qual será a próxima funcionalidade que iremos incluir na plataforma”, conta Danilo Salvador, líder do desenvolvimento da programação.

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Acesso ao aplicativo é feito mediante aprovação de cadastro Divulgação

“Criar um app que fortalece os laços entre seres humanos – no caso, entre pacientes e voluntários – nos motivou bastante. Nós tentamos criar um app que fosse acessível a todos. Acreditamos que as pessoas que já usam smartphones não terão dificuldade em usá-lo. As funcionalidades e o layout são bastante familiares e a utilização é bem intuitiva”, diz Seiji Himoro, designer gráfico e membro da equipe de desenvolvimento.

“O app foi construído para ter abrangência global. No entanto, a implementação depende do engajamento dos quatro tipos de usuários que teremos: ONGs, hospitais, pacientes e voluntários. Portanto, a expansão deve ser orgânica e gradual”, completa Seiji.

Enfrentar a doença de uma pessoa amada traz muito sofrimento, medo, dor e raiva. Fui buscando maneiras de transformá-los em algo melhor para mim e para todos que me cercam”.

‘Viver como alquimista’

Os fundadores do Hey Amigo são a cantora e produtora Haikaa Yamamoto e seu parceiro Mercuri. A ideia para a criação do aplicativo surgiu da experiência pessoal e da observação de outros em situação semelhante.

“Há dois anos, o Mercuri recebeu um diagnóstico de câncer e eu me tornei cuidadora. Em um ano, cheguei a passar mais de 100 horas na sala de espera de um único procedimento ao qual ele era submetido com frequência. Para nós, foi difícil, porém, no dia a dia do hospital, testemunhamos situações infinitamente mais complicadas vividas por outros pacientes”, conta Haikaa. “Um senhor de 73 anos vinha todos os dias de Mairiporã para fazer radioterapia. Ele tinha um único filho, que não podia acompanhá-lo, pois já havia faltado no trabalho diversas vezes por conta do tratamento do pai. Além do tratamento, esse senhor enfrentava sozinho um total de quatro horas no ônibus. Um outro caso foi de um jovem casal que tinha duas filhas, de cerca de dois e quatro anos. Como a esposa precisava estar acompanhada no tratamento, a única solução era a família inteira ir ao hospital. Concluímos que a realização de tratamentos médicos de longo prazo frequentemente apresenta desafios maiores do que uma única pessoa ou uma única família é capaz de absorver”, completa.

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Site para administração é usado por hospitais e grupos de voluntários Divulgação


“Uma das questões que me chama atenção é o desconforto que sinto quando atendo pacientes que vêm de tão longe, esperam longas horas na fila e muitas vezes apresentam gastos enormes para comparecer à consulta. Dói o coração saber que, infelizmente, muitos acabam por faltar em suas terapias, consultas e acompanhamentos por conta da distância, da falta de condição financeira para pagar um transporte digno. Muitos pacientes meus sentem-se sozinhos, não têm com quem conversar, pois estão isolados socialmente. Com o aplicativo, há a possibilidade de trazer o calor humano para mais próximo desses pacientes”, observa o Dr. Leandro Iuamoto, médico parceiro da plataforma.

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Da esq. para dir. Dr. Leandro Iuamoto, Danilo Salvador, Seiji Himoro e Haikaa Yamamoto Divulgação

Haikaa e Mercuri têm experiência em projetos humanitários, como o Work of Art Global Project e o Hello Mahalo, que tratam de diversidade e inclusão. “Esse espírito de celebração da vida e inclusão também está presente, a começar pela escolha do nome. Detectamos o problema (falta de carona e de acompanhante) e passamos a pensar em soluções. Envolvemos muitos dos nossos parceiros dos projetos anteriores na concepção do Hey Amigo, e essa inteligência coletiva global foi fornecendo as respostas”, afirma Mercuri.

“O Hey Amigo foi uma oportunidade para fazer aquilo que eu chamo de ‘viver como alquimista’. Enfrentar a doença de uma pessoa amada traz muito sofrimento, medo, dor e raiva. Eu fui buscando maneiras de transformar esses sentimentos em algo melhor para mim e para todos que me cercam. O que era sofrimento ganhou ar de desafio, o que era medo se transformou em convicção, o que era dor ganhou contornos de esperança, e a raiva virou ação”, finaliza Haikaa.

Saiba mais: www.heyamigo.app/pt-br

Instagram: @heyamigoapp

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