Entrevista com Kenji Ohba

Entrevista com Kenji Ohba

Entrevista com Kenji Ohba Rafael Salvador

O ator japonês Kenji Takahashi, mais conhecido como Kenji Ohba, esteve no Brasil como convidado da Comic Con Experience de 2017, de 7 a 10 de dezembro de 2017. Conhecido pela participação em séries de tokusatsu, o ator concedeu uma breve entrevista à Made in Japan e contamos tudo aqui neste post.

Natural de Matsuyama, capital da província de Ehime, Ohba começou a carreira como dublê e, em 1982, estreou no elenco da série Space Cop (Uchuu Keiji Gavan – 宇宙刑事ギャバン, produzida pela Toei Company) como Retsu Ichijouji, papel pelo qual é conhecido até hoje.

Na continuação da trilogia dos Policiais do Espaço – que inovou o gênero de tokusatsu ao introduzir a franquia Metal Hero na televisão japonesa – ator ainda foi protagonista de Sharivan e Shaider, lançados respectivamente em 1983 e 1985.

Conhecido pelos fãs de séries japonesas como um dos maiores atores da história do tokusatsu, Ohba também participou de séries como Kamen Rider ZO, Jiraiya e filmes, sendo que a sua aparição mais recente foi em Uchû Keiji Gyaban VS Tokusô Sentai Dekarenjâ (2017), no qual reviveu Retsu. Além disso, o ator também entrou para o elenco de Kill Bill, com o papel do assistente de Hattori Hanzo.

Leia, a seguir, a entrevista com o ator Kenji Ohba.

Entrevista com Kenji Ohba

Hoje em dia, há muitos recursos de efeitos especiais na produção cinematográfica. O que você acha dessa mudança que houve no decorrer dos anos?

Os efeitos especiais começaram a ser usados no Japão com o Space Cop e comparando com o que vemos hoje, acho incrível. Na nossa época, os tiros eram representados por linhas fininhas, mas hoje, dá para fazer efeitos como redemoinhos nessas linhas e até fazer um animal surgir. Todo ano eu também faço vários sentais, como Kamen Rider, e temos que inovar sempre. Dá um trabalhão criar tudo isso.

Se comparar com antes, é mais fácil criar esses efeitos hoje?
Hoje já temos vários recursos, então é possível criar raios melhores e perfeitos do que antigamente.

Como eram os bastidores das gravações?
Na nossa época, éramos chamados de “eiyuu” (“héroi”, em japonês), ou seja, “um defensor da justiça”. Se a gente não treinar, se fortalecer, seremos derrotados pelo inimigo, por isso, todos precisamos treinar e juntar nossas forças para fazer o melhor. Acho que isso é o mais importante.

Levando em conta que tinham muitas cenas de destruição, tinha coisa que deveria ser gravada uma vez só ou que tinha que ser gravada direto sem ensaio?
Nos ensaios, o diretor de ação já arrumava o que deveria ser feito, então a gente treinava uma vez. Se era uma cena curta, já filmava direto. Não tinham muitas cenas que o diretor pedia para refilmar.

Em média, quanto tempo levava para filmar um episódio?
Um diretor ficava encarregado de filmar dois episódios. Cada história tem 30 minutos, então para dois episódios, filmando um, dois dias inteiros, levávamos uns 11 dias para gravar tudo. Hoje, já está bem melhor, então dura cerca de nove ou dez dias para tudo.

Você também participava da produção da obra e da criação dos personagens?
Eu já fiz vários battle hero, como Gavan e Changeman, e esses dois, fiz um em seguida do outro. Nesse caso, os diretores já eram meus conhecidos. Quando íamos filmar, o Gavan e o Changeman têm posturas diferentes, então precisava fazer algo diferenciá-los, e os diretores apenas observavam. E, veja bem, eles nunca falavam nada, então às vezes ficava meio inseguro. Pensava “será que está bom assim?”

Recentemente, foi lançado o Space Squad:Gavan vs. Dekaranger. No Brasil, o personagem Jaspion é muito famoso, então gostaríamos de saber se existe a possibilidade de uma série que juntasse o Gavan com o Jaspion.

Bom, a possibilidade sempre existe. O Jaspion é interpretado pelo Kurosaki, um calouro meu, e ele está em Okinawa agora, e bem, está com os cabelos mais calvos, por isso… acho meio difícil (risos).

Mas se desse, o senhor gostaria de fazer?
Sim, gostaria.

Você tem planos para novos tokusatsus?
Bom, eu sempre gostei de inventar várias coisas. Por exemplo, um clarividente que também é um cavaleiro, vai procurar por um garoto e uma garota, os heróis da história… Bom, estou pensando em muitas coisas. E estava pensando em algo para as Olimpíadas, que contém Gold (ouro), Silver (prata) e Bronze (bronze). Eu gosto bastante disso. Para não ficar “fora de forma” também.

Assista à abertura de Space Cop

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