Katsuhiro Otomo, o rei do mangá

Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Made in Japan nº 14 de novembro de 1998

Cena do anime Akira

Tóquio, 2019. Três décadas após a destruição da capital japonesa, garotos paranormais são nucleares. Até que um deles se rebela… e então, começa o futuro da animação. Pelo menos para os maiores fãs do japonês Katsuhiro Otomo, um dos maiores gênios do mangá de ficção científica. Mais do que isso, ele é um craque em desenhos animados para adultos com temáticas complexas.

Cultuado após conquistar uma legião de fãs por todo o Japão, ele ultrapassou os limites do arquipélago para ser um ídolo internacional. Um autor capaz de se juntar aos grandes ícones do pop mundial. A porta de entrada foi aberta por seu personagem mais famoso, Akira — que, após responder pela vendagem de dois milhões de mangás fora do Japão, virou personagem de cinema e invadiu as telonas de todo o planeta.

Katsuhiro Otomo – 1998

Otomo não criou um dos maiores heróis da cultura pop japonesa por acaso. Nascido em 1954, na província de Miyagi, norte do Japão, Otomo passou a infância devorando qualquer mangá que caísse em suas mãos. No segundo grau, entrou para um clube de arte e lá começou a traçar os primeiros personagens.

Mas logo chegou à conclusão de que sua terra natal era pequena demais para suas pretensões. Arrumou suas malas e foi para Tóquio. Em 1973, estreava o mangá que suplementou a revista Action (uma das mais vendidas da época). Foi quando Otomo começou a quebrar a tradição de mangás com narrativas quase sem enredo para investir em personagens complexos.

Nessa época, além de contar com seu próprio talento, Otomo era favorecido por uma febre de histórias infantis que seguiam o estilo do Walt Disney nipônico: Hayao Miyazaki. As histórias românticas desse autor, protagonizadas por heróis bonzinhos, lotavam as prateleiras das livrarias japonesas. Aproveitando uma brecha no mercado, Otomo seguiu o caminho inverso de Miyazaki e investiu pesado em temas nada infantis e comerciais.

Após ver a confirmação de seu talento em algumas séries de sucesso, criou Fireball, a história de um garoto superdotado que enfrenta um mega-computador. O mangá foi sensação em todo o país e catapultou Otomo à condição de ídolo cult. Na sequência, veio Domu. Com enredo, dessa vez, um pouco mais pesado: inspirado em histórias reais de suicidas japoneses. O mangá agradou em cheio. Além de vendagem de meio milhão de exemplares, ainda arrebatou o Grande Prêmio de Ficção Científica Japonês de 1983. Feito até então inédito na história dos mangás.

Spriggan

Em meio a essa avalanche de glórias, entra em cena a maior criação de Otomo: o herói Akira – que apareceu a primeira vez em um fascículo da revista Young. Em pouco tempo, suas aventuras eram editadas em inglês, pela Marvel, e publicadas em toda Europa, Ásia e até no Brasil. Quatro anos depois, Otomo filmou Akira.

É a consagração definitiva do autor. Tanto que, para os mais aficionados, pouco importam as críticas recebidas por seu trabalho como produtor de Spriggan. Dizem que faltou nesse projeto o entusiasmo e a profundidade de Akira. Golpe comercial ou não, Otomo não precisou se preocupar. Afinal, o herói que o consagrou será lembrado para sempre como o adolescente que usava seus poderes paranormais para, entre outras coisas, hipnotizar o mundo ocidental. E disso, ninguém duvida.

Edição brasileira do mangá Akira

Marco da ficção científica oriental, o mangá Akira foi publicado no Japão entre 1982 e 1990, na Young Magazine pela editora Kodansha e, desde o início, se tornou sucesso nacional. No Brasil, a série será lançada pela Editora JBC em 2017. O primeiro volume do mangá já está em produção e chega aos leitores brasileiros em breve. Para saber mais, acesse o site mangasjbc.com.br/titulos/akira.

Por: Maurício Teixeira e Gabriela Yamaguchi – Made in Japan #14.

Você pode se interessar também por...