Bate-papo com a cineasta Yuki Kokubo

Yuki Kokubo é a diretora do documentário Kasamayaki

Yuki Kokubo é a diretora do documentário Kasamayaki

No dia 29 de março, a Fundação Japão em São Paulo promoveu o encontro com a cineasta Yuki Kokubo, no Cine Belas Artes, em São Paulo (divulgamos aqui).

Após a exibição do documentário Kasamayaki, Kokubo comentou suas experiências pessoais envolvidas na produção do filme, contou um pouco dos bastidores e do processo de produção de seu primeiro longa.

Exibição única do documentário Kasamayak foi feita no Cine Belas Artes

Exibição única do documentário Kasamayak foi feita no Cine Belas Artes

“Este é um filme pessoal, sobre a minha família, e me surpreendeu ver como, de certa forma, as pessoas acabam se conectando e se identificando com o documentário, uma vez que todo temos histórias difíceis e complicadas na própria família”.

Depois do Grande Terremoto de 2011 que atingiu principalmente a região de Tohoku, no Japão, Kokubo resolveu voltar às suas origens, na pequena cidade de Kasama, para entender como o desastre tinha afetado a sua comunidade e a vida de seus pais.

Kasama abriga uma comunidade rural artística localizada a cerca de 140 km dos reatores nucleares de Fukushima. O desastre acabou afetando toda a região, inclusive a produção local, já que o medo da contaminação pela radiação nuclear só foi aumentando.

yuki_kokubo_fjsp2Na época em que o grande terremoto aconteceu, Yuki estava estudando cinema, em Nova York e, três meses depois, foi para o Japão com a sua câmera.

“Eu comecei filmando depoimentos dos meus pais com a ideia de retratar a situação de Kasama após o Grande Terremoto de 2011, mas, com o desenrolar das entrevistas, o filme acabou se transformando em uma história de vida, de revelações pessoais da minha família”, explicou a cineasta japonesa que vive nos Estados Unidos desde os 8 anos de idade.

Respondendo às perguntas da plateia, ela comentou que foi muito mais fácil gravar do que editar e que levou quase dois anos para finalizar o trabalho.

“Percebi que cometi um erro que muitos principiantes cometem: gravar demais”, contou ao revelar que chegou a coletar 184 horas de gravações.

No fim, Kokubo conseguiu compilar todo o material em 78 minutos, incluindo depoimentos de seus pais e cenas do cotidiano da pequena cidade de Kasama.

O documentário Kasamayaki (Feito em Kasama), é praticamente um projeto solo. “Eu fiz toda a parte de captação de vídeo e de áudio e uma parte da edição, mas tive a ajuda de uma cineasta consultora para desenhar a história e de uma empresa para a pós-produção”, contou.

Para financiar seu primeiro longa, a cineasta revelou que além de investir dinheiro do próprio bolso, ela também teve ajuda de um projeto de financiamento coletivo pelo Kickstarter, conseguiu apoio da IFP Filmmaker Labs, do governo de NY (pelo New York Council on the Arts) e de uma instituição privada (Jerome Foundation).

Assista ao trailer do documentário Kasamayaki

KASAMAYAKI Trailer from YUKI KOKUBO on Vimeo.

Mais informações: www.ocarinamedia.com/kasamayaki