Depoimentos de Kunio Ojima

Ojima (centro), em abril de 1945

Ojima (centro), em abril de 1945

Não estava traindo a Pátria de meus pais. Estava cumprindo meu dever

Ojima; "Tinha gente no Exército que não gostava de filhos de japoneses"

Ojima: “Tinha gente no Exército que não gostava de filhos de japoneses”

Em 1941, quando servia o Exército no 5º Batalhão de Caçadores, em Itapetininga, Kunio Ojima, 82 anos, não imaginava o que o aguardava. Prestes a ser
liberado do serviço, viu-se diante do início da Segunda Guerra Mundial e teve de permanecer no quartel até embarcar em 1944 para a Itália, integrando o 9º Batalhão de Engenharia.

Hoje, vive na cidade de Piedade, interior de São Paulo. O ex-combatente lembra com precisão do preconceito que sofreu no Exército. “Enquanto servia o Exército, era perseguido. Tinha gente que não gostava de filho de japonês. O comandante achava que eu era espião. Chegaram até a não me dar nenhum
trabalho no quartel.

Quando fui escalado para ir à guerra, em 1944, não pensei que estava traindo a Pátria de meus pais. Não senti nada. Estava cumprindo com minha obrigação como soldado. Na Itália, minha função era construir pontes e desativar minas, andando sempre na frente da infantaria. O mineiro erra só uma vez, porque quando erra morre. Os mandamentos que recebíamos eram que, se encontrássemos fios esticados, não podíamos cortar e, se estivesse bamba, não podíamos puxar. O barulho das bombas era tanto que fiquei neurótico. Até hoje não gosto de rojão e música alta. Fico nervoso. Foi bom ter ido à guerra como engenheiro. Não fui para matar. Depois que voltei ao Brasil, as coisas também não foram tão tranquilas. Em Piedade, disseram que meu nome estava na lista dos perseguidos pela Shindo Renmei. As pessoas não acreditavam que eu tivesse lutado na Segunda Guerra. Mas não gosto de falar dessa época. É ruim de lembrar.

Reportagem: Marianne Nishihata

Reportagem publicada na edição nº 59 da revista Made in Japan

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