Príncipe e princesa Akishino chegam ao Brasil

Príncipe Akishino é recebido no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.  Fotos: Rafael Salvador

Príncipe Akishino é recebido no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.
Fotos: Rafael Salvador

A visita do príncipe e da princesa Akishino ao Brasil marca a história das relações entre o Brasil e o Japão e celebra as relações de amizade e intercâmbios dos últimos 120 anos entre os dois países.

O casal imperial chegou ao Brasil no dia 28 de outubro em passagem por São Paulo e depois segue uma agenda apertada pelo Paraná, Pará, Mato Grosso do Sul, Brasília e Rio de Janeiro. (Veja a agenda completa aqui)
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A rápida passagem por São Paulo incluiu visitas a entidades nipo-brasileiras, ao Parque Ibirapuera, à Universidade de São Paulo e cerimônia com o governador Geraldo Alckmin.

Na tarde do dia 29 de outubro, o príncipe e a princesa Akishino foram recebidos pelo governador Geraldo Alckmin, pelo cônsul-geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae e por políticos e convidados para a solenidade comemorativa dos 120 Anos de Amizade Japão-Brasil que aconteceu no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin destaca a influência dos imigrantes japoneses no Brasil

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin destaca a influência dos imigrantes japoneses no Brasil

O governador de São Paulo começou o discurso lembrando que a visita do príncipe e da princesa Akishino vem de encontro com as comemorações dos 120 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão e explicou que o tratado foi decisivo para dar início ao processo de imigração que se iniciou com a chegada dos primeiros imigrantes ao Porto de Santos. “São Paulo se orgulha de ter sido a porta de entrada destes pioneiros em nosso país. Apreciamos o valor inestimável de sua aptidão ao trabalho, à capacidade intelectual, e sua esperança e confiança no futuro”.

Além disso, lembrou os aspectos milenares da cultura japonesa e disse que a sua contribuição à humanidade não se limita a este passado, já que são muitos os profissionais japoneses que receberam o prêmio Nobel em diferentes áreas, incluindo a medicina com o mais recente agraciado, médico Satoshi Omura (Prêmio Nobel de Medicina de 2015, ao lado do irlandês William Campbell).

A visita de Suas Altezas Imperiais reforçam ainda mais os laços de simpatia, amizade e admiração dos brasileiros e paulistas pelo Japão

Em seu discurso, o governador agradeceu a recepção dos japoneses aos brasileiros dekasseguis, afinal, hoje, os imigrantes brasileiros que vivem em terras nipônicas já formam a terceira maior comunidade de brasileiros no exterior. Ele comentou também que o estado de São Paulo tem sido “beneficiado por parcerias com órgãos governamentais do Japão na área de saneamento, transporte, ciência, tecnologia” e que “os paulistas também são favorecidos com os empregos criados pelas empresas japonesas estabelecidas no estado”.

“Do judô ao sushi, os imigrantes japoneses introduziram muitos costumes à sociedade brasileira. Se hoje a culinária japonesa é reconhecida como patrimônio da humanidade pela Unesco, ela é também um patrimônio paulista de tanto que está integrada aos nossos hábitos alimentares”, observou Alckmin.

Solenidade de comemoração aos 120 anos de Amizade Brasil-Japão, no Palácio dos Bandeirantes

Solenidade de comemoração aos 120 anos de Amizade Brasil-Japão, no Palácio dos Bandeirantes


O príncipe Akishino comentou, em seu pronunciamento oficial, que o Brasil tem a maior comunidade japonesa que vive fora do Japão no mundo, com mais de 1 milhão de nipo-descendentes. “Visitamos o Memorial em Homenagem aos Imigrantes Pioneiros Falecidos, no Parque Ibirapuera, onde depositamos flores e refletimos sobre os 781 imigrante que embarcaram no Kasato Maru e atravessaram o oceano cheios de sonhos e esperanças. Hoje, essa população chega a mais de um milhão e meio de habitantes”, disse.

Gostaríamos de agradecê-los pelo acolhimento e recepção aos imigrantes japoneses nestes anos e desejamos um maior aprofundamento da amizade entre os países.

O príncipe também lembrou que sua primeira visita ao Brasil, em 1988, também era por um motivo de celebração – pelos 80 anos de imigração japonesa no Brasil – e que, na época, foi recebido pelo então presidente da República José Sarney com mais de 80 mil pessoas, sobretudo imigrantes e seus descendentes. “Mesmo depois de 27 anos, ainda lembro de forma vívida e calorosa daquela ocasião”.

Visita ao Hospital Santa Cruz*

Na tarde de 28 de outubro, o príncipe do Japão visitou o Hospital Santa Cruz (HSC) juntamente com a princesa Kiko. As altezas fizeram questão de prestigiar o Hospital pela importância na cooperação nipo-brasileiro na área da saúde. Em 1934, o avô de Fumihito – o então imperador japonês Hirohito – fez uma importante doação de 50 mil ienes para ajudar na construção do HSC, inaugurado cinco anos depois.

Na ocasião, o príncipe e a princesa foram recebidos pelo presidente do Hospital, dr. Renato Ishikawa e pelo dr. Masato Ninomiya, presidente do Conselho Deliberativo do HSC. Juntos, fizeram o descerramento de uma pedra esculpida em homenagem à visita imperial, que ficará em frente à recepção da instituição. Em seguida, as altezas visitaram a pedra monumental, lápide esculpida com poemas de Tooson em homenagem aos imigrantes japoneses; instalações internas do HSC, onde foram recebidos por coral de crianças e adolescentes da Fundação Cafu e pelo músico Shen Ribeiro.

As altezas assinaram o livro de ouro do Hospital para registrar sua passagem e receberam, de presente, uma edição traduzida para o português pelo Dr. Masato Ninomiya da publicação escrita pelo príncipe sobre a criação de galos e galinhas. Após 45 minutos de visita, as altezas imperiais agradeceram a recepção e deixaram o Hospital ao som de apresentação ao vivo do Coral de Voluntários do Hospital Santa Cruz.

*Com informações da assessoria de imprensa do HSC