YUI, o trio de instrumentistas japonesas

Fotos: Nikko Fotografia

YUI em apresentação no Centro Cultural de São Paulo, no dia 13 de junho de 2015


A apresentação do grupo YUI, formado pelo trio Chie Hanawa, Ko Kakinokihara e Yoshimi Tsujimoto, encheu a Sala Adoniran Barbosa, do Centro Cultural de São Paulo, no dia 13 de junho, com os sons típicos dos instrumentos tradicionais do Japão. Com organização da Fundação Japão em São Paulo, o evento fez parte do tour das jovens japonesas pelo Brasil.

Pela primeira vez no país, o trio selecionou 17 músicas, entre elas, duas brasileiras (Brasileirinho e Tico-tico no Fubá), interpretadas com koto, shakuhachi e shamisen. O show de São Paulo teve um tom ainda mais especial com a participação do musicista paulista Shen Kyomei, que também se formou na Universidade de Belas Artes de Tóquio e é um dos principais divulgadores do shakuhachi no Brasil.

No discurso de abertura do evento, o diretor geral da Fundação Japão, Yo Fukazawa disse que a apresentação abria o ciclo de atividades que a Fundação Japão está programando em comemoração aos 120 anos de Amizade entre o Brasil e o Japão. “É com grande prazer que trazemos o grupo YUI para apresentar o som refinado da música japonesa”, comentou. “O koto, o shakuhachi e o shamisen não se limitam aos sons que representam a cultura japonesa, pois eles transmitem em si, o wabi-sabi, que traz um conceito difícil de explicar mas que traduz a quietude, a frugalidade, o clássico, o refinado, o distanciamento do vulgar”.

Elas explicaram que o nome do trio “YUI”, vem do ideograma 結, que significa entrelaçar, unir. “Escolhemos este nome porque expressa nosso desejo de conseguir unir as pessoas por meio da música, com um laço bastante forte”, explicou Kakinokihara. “Por isso, tocamos músicas originais e clássicas, para que mesmo os leigos em música japonesa, possam conhecer um pouco da cultura e do nosso trabalho”.

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Leia, a seguir, a entrevista com o grupo YUI

Yoshimi Tsujimoto

“A simplicidade dos sons do shakuhachi faz com que as variações de cada nota imprimam a identidade de quem o toca. Por isso, ele é um instrumento que permite que você expresse a sua individualidade”

Yoshimi Tsujimoto toca shakuhachi desde os 16 anos

Yoshimi Tsujimoto toca shakuhachi desde os 16 anos

O que o shakuhachi representa na sua vida?
Para mim ele tem um significado ainda maior, pois o shakuhachi é um instrumento tipicamente japonês e, ao tocar, eu consigo encontrar a minha identidade nipônica e expressá-la com a música. Além disso, é pelo shakuhachi e pela música que eu consigo me encontrar com mais pessoas.

Quando começou a tocar?
Meu pai tocava shakuhachi e comecei a tocar por influência dele, aos 16 anos.

Quais são as suas influências musicais?
A nossa base principal é a música clássica, mas ouvimos pop, j-pop, clássicas ocidentais. De tudo, nós absorvemos o que é bom de cada estilo e expressamos isso em nossas apresentações.

Assista à Yoshimi Tsujimoto tocando Michael Jackson

Ko Kakinokihara

“Antigamente o koto era tocado apenas por membros da classe alta, mas com o passar dos anos foi se popularizando. É um instrumento feito com uma caixa de madeira oca e 13 cordas suspensas sobre pontes móveis, capazes de modificar a afinação do instrumento e fazer os vibratos conforme a música é tocada”.

Ko Kakinokihara toca koto desde os 5

Ko Kakinokihara toca koto desde os 5

Quando começou a tocar?
Quando eu era pequena vi, em um seriado da NHK, uma princesa tocando koto e aquela imagem me fez querer aprender a tocar como ela. Comecei a aprender aos 5 anos de idade.

O que o koto representa na sua vida?
Como eu toco desde pequena, a música já faz parte da minha vida. É como se fosse o koto meu melhor amigo. É minha melhor companhia. Eu não falo português e mesmo assim, sinto que consegui me comunicar com o público que nos acompanhou com as palmas no ritmo da música e isso me deixou muito feliz.

Como vocês se juntaram?
Nós três estudamos na mesma faculdade de Música na Universidade de Belas Artes de Tóquio, mas só nos juntamos como trio depois que nos formamos.

Chie Hanawa

“O tsugaru shamisen foi criado há cem anos e é um instrumento típico de Aomori. Com ele, as canções regionais ganham identidade e é um instrumento versátil como instrumento de corda e como instrumento de percussão”

Chie Hanawa toca tsugaru shamisen desde os 9 anos

Chie Hanawa toca tsugaru shamisen desde os 9 anos

O que o shamisen representa na sua vida?
Com o shamisen, consigo fazer diferentes tipos de arranjos, tem uma versalidade muito grande e isso me maravilha. é uma forma de me comunicar com as pessoas. Eu toco como se eu estivesse conversando com elas. Com a música, eu tive a oportunidade de conhecer diferentes países e lugares que eu não teria ido se eu não tocasse, inclusive o Brasil.

Quando começou a tocar?
Minha avó tocava e eu queria me comunicar mais com minha a avó, por isso comecei.

Vocês também tiveram uma participação na trilha sonora do Final Fantasy XIII (Clash on the Big Bridge – Oriental MIX – ビッグブリッジの死闘 – Oriental MIX, composição de Nobuo Uematsu). Como foi participar de um projeto como este?
É bem diferente de uma apresentação acústica, como a que fizemos em São Paulo. No álbum do Final Fantasy XIII, gravamos juntamente com outros instrumentos como guitarra e bateria normalmente é algo que estaria fora e foi uma experiência bastante enriquecedora de algo que normalmente não faríamos. E fazer parte de algo que é conhecido internacionalmente, nos deixou muito orgulhosas e foi uma honra poder participar.

Assista ao vídeo de YUI

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