O que é teatro Nô?

Palco do Teatro Noh de Ishikawa
Palco do Teatro Nô de Ishikawa

Um espetáculo que não começa com o abrir das cortinas nem se desenvolve ao redor de um cenário, o teatro Nô concentra a arte da interpretação nos pilares da música, do movimento e do canto.

Ao fundo do palco, há apenas a imagem de um pinheiro que indica que a peça se passará em um mundo espiritual. Entre máscaras e instrumentos como o flautas e tambores, o Nô revela o lado tradicional da cultura japonesa marcado pelo simbolismo e pela simplicidade. Ao lado do teatro Kyogen, forma o Nogaku que é uma manifestação artística reconhecida como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade (veja a lista com os patrimônios reconhecidos pela Unesco, no Japão). O precursor e principal artista de referência do teatro Nô é Zeami Motokiyo (1363-1443).

O teatro Nô valoriza a presença do espectador, pois é ele quem vai criar a interpretação do que acontece ao redor, com a sua forma de ver e escutar a peça. “Trata-se de uma arte integrada com elementos de dança, música e canto. Existem várias formas de combiná-las e interpretá-las”, explicou o ator Toshiyuki Tanaka.

Tanaka é professor do curso de Comunicação e Artes do Corpo da PUC-SP e realiza estudos voltados para o corpo japonês e considera importante dar suporte ao teatro Nô no Brasil para que essa arte não se perca ao longo dos anos. Ele também é membro da Associação Brasileira de Nô Gaku, que tem o objetivo de difundir a arte do teatro Nô, no Brasil.

Existem vários elementos diferentes quando se trata da compreensão do corpo nas artes tradicionais japonesas. “O pé sempre desliza pelo chão, ao contrário do balé que estica o corpo para o alto, para o céu. Muitas das danças japonesas são mais ligadas à terra, por isso, a postura do corpo também muda de forma que os movimentos fiquem centrados na região lombar e da barriga”, explica.

Para o empresário japonês Yasuhiro Wakebayashi, que é praticante do teatro Nô e vem de uma família ligada às artes teatrais, o Nô é uma arte repleta de simbolismos como, por exemplo, “quando a máscara está virada para cima é símbolo de alegria e para baixo, de tristeza”. O palco não tem cenário e a história se passa com poucos diálogos, por isso, a interpretação depende muito de cada um. A máscara cobre o rosto do protagonista da peça e é possível compreender a expressão do personagem apenas pelos movimentos e pelo ritmo da música.

“A linguagem medieval e a expressão da poesia sintonizada com a música retrata um universo muito particular. Essa é a alma do Nô”, completa Wakebayashi. Ao comparar a expressão do Kabuki com o teatro Nô, o empresário explicou que o primeiro seria uma linha mais popular, enquanto que o Nô seria mais sofisticado, da nobreza.

Como parte das comemorações dos 120 anos de Amizade entre Brasil e Japão, Wakebayashi promoverá duas apresentações de teatro Nô em São Paulo, em parceria com a produtora Dô Cultural, em julho de 2015. Os espetáculos estão marcados para os dias 1º e 2 de julho, no Sesc Pinheiros. Para mais informações, acesse este link.

Aos que quiserem conhecer um pouco mais do trabalho da Associação Brasileira de Nô Gaku, a cada estação do ano, o grupo faz uma apresentação aberta ao público e uma vez por mês (segundo domingo de cada mês), são ministradas aulas e encontros do grupo de estudos de Noh, na Associação Ishikawa Ken do Brasil (Rua Tomas Carvalhal, 184. Paraíso. São Paulo-SP).

Assista ao vídeo de apresentação do teatro Nô (em inglês)