A trajetória de vida do maquiador japonês Tadashi Harada


“Surgiu a oportunidade de vir e eu vim!”

Os pincéis e tintas são seus principais instrumentos de trabalho. A sua arte é efêmera, mas fica eternizada nas fotografias de artistas internacionais. O seu trabalho nunca é assinado, mas está estampado no rosto de cada um dos modelos fotografados.

O reconhecimento do bom trabalho vem justamente com mais trabalho e mais badalações. Vida de maquiador não é fácil, mas tem sim muito glamour e brilho. Com irreverência e muita técnica Tadashi Harada nos conta como ele veio parar no Brasil, há 32 anos, e por que não consegue deixar o país.

Harada começou jovem na carreira artística. Primeiro aprendeu a cortar cabelos, mas desde pequeno gostava de admirar o trabalho dos pôsteres de propaganda de maquiagem.

Eu tinha uma tia que trabalhava em uma loja de maquiagens e sempre ficava olhando as propagandas e fotos. Chamavam muita atenção. Comecei como cabeleireiro, era assistente de um maquiador que fazia desfiles para Issey Miyake, Kenzo. Ele fazia maquiagens maravilhosas e eu só ia observando e aprendendo.

No mundo da moda, acabou conhecendo um modelo brasileiro e logo se viu de malas prontas para cá.

Surgiu a oportunidade de vir e eu vim! Esse amigo brasileiro que estava trabalhando no Japão tinha uma amiga que nos chamou para assistir a um show da Gal Costa, na NHK de Tóquio. Fomos e na saída do show, o maquiador dela que era amigo desse amigo, nos cumprimentou. Esse rapaz era o Guilherme Pereira, na época ele era top. Maquiava a Gal Costa, Clara Nunes, e outras artistas. Saímos para passear e conhecemos a Gal. E lá ele disse, “quando vocês vierem para o Brasil, passa lá em casa”.

E foi o que Harada fez.

Como ele (Guilherme) era muito ocupado, acabou me chamando para fazer alguns trabalhos. Aí que comecei a trabalhar com a Gal. E as pessoas começaram a comentar “do japonês que maquiava…”

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Enquanto trabalhava com a cantora, viajava junto para acompanhar as turnês. Eles chegaram até a passar uma temporada de três meses em Portugal. Dali, seguiu maquiando artistas como Rita Lee, Simone, maquiou a cantora argentina Mercedes Sosa, a canadense Linda Evangelista, a modelo americana Cindy Crawford. Ajudou na produção de propagandas como as do Itaú, Carrefour, Mesbla, editorial da Ellus, da revista Vogue, produções com o fotógrafo JR Duran.

Um dia, recebi uma ligação da Globo, com proposta para maquiar no Jornal Hoje, com Cristina Franco. Lá na Globo, também maquiei a Globeleza, a esposa do Hans Donner. E dava muito trabalho porque primeiro tinha que riscar à caneta – o corpo inteiro – , depois tinha que pintar e depois ainda jogar purpurina. Também fiz muitas aberturas de novela, como a de Brega e Chique. Nesse dia tive que maquiar um modelo nu, mas ele tinha marca de sunga, então precisava disfarçar e pedi para o assistente. Só que ainda tinha muito tempo até a gravação e ele vestiu a roupa de novo. Na hora de gravar, a maquiagem tinha saído e tivemos que refazer a maquiagem. E não tinha como maquiar com cueca… ele teve que ficar pelado. Passei mal! Risos. Mas foi engraçado.

O mundo dos artistas abriu muitas portas para Harada, que lembra com carinho da cantora Simone e das vezes que encontrou Pelé.

Encontrei com o Pelé umas cinco vezes e ele sempre foi simpático. A primeira vez, foi a Xuxa que nos apresentou, dentro do avião. Ela me falou, esse é “o Preto”, o Pelé, risos. Depois, nos encontramos de novo enquanto eu jantava com a Simone em São Paulo e ele nos cumprimentou e disse “vou sentar ao lado do japonês” e sentou do meu lado.

No Japão, trabalhou com Keiko Fuji, atriz e cantora japonesa que fez grande sucesso no Japão entre os anos 60 e 70, com o estilo musical enka.

Eu gosto muito do Japão. Também pensei em voltar, mas só pensei. As pessoas no Brasil são mais calorosas, fui muito bem recebido aqui. No Japão tem bastante homossexual, mas era muito difícil assumir. A minha irmã quase me bateu quando soube.

A idade, ele não quis revelar, mas o importante é saber que a experiência que tem com pincéis e lápis e as vivências – com ou sem maquiagem – é visível no seu trabalho que você confere a seguir na galeria de fotos, com a modelo Érica Suzuki, da agência Way Model SP.

Clique em uma das imagens abaixo para visualizar a galeria

Fotos: Rafael Salvador/JBC
Modelo: Érica Suzuki ( Way Model )
Maquiagem e produção: Tadashi Harada

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