Wolverine – Imortal

Foi em uma viagem de carro durante o verão (americano) de 1982 que Chris Claremont e Frank Miller começaram a estabelecer os traços básicos de uma colaboração histórica. Daquela viagem, nasceu o que muitos apontam como a obra definitiva sobre o icônico personagem da Marvel Comics, o arco de histórias conhecido no Brasil como “Eu, Wolverine”. Mais de três décadas após a publicação original, a obra chega às telas de cinema por meio de uma adaptação indireta, de título “Wolverine – Imortal”.A nova empreitada cinematográfica do Sr Logan chegou aos cinemas mundiais já há algumas semanas e foi recebida com bons números de bilheteria e críticas amigáveis. Desta vez, a trama da película se encaixa após os eventos de “X-Men 3 – A Batalha Final”, apresentando um Wolverine deslocado e ermitão, que vive solitariamente em uma floresta canadense.Em poucos minutos, a história carrega o protagonista para o Japão, onde um velho conhecido deseja lhe fazer um favor. Assim, a linha da narrativa se desenrola em uma trama de poder e política, envolvendo uma família tradicional japonesa, um clã de ninjas conhecido como Tentáculo e a Yakuza.

Originalmente composta para os quadrinhos, a história é simples, mas satisfatória. Os elementos principais da HQ foram transportados para o cinema, mas diversas adaptações foram realizadas. Na realidade, em termos de trama, o resultado final fica um misto do composto por Miller e Claremont, mas encarado pela ótica dos conceitos já estabelecidos para o personagem no cinema. Ou seja, “Wolverine-Imortal”, traz uma versão simplificada, floreada, e mais “capa e espada” de “Eu, Wolverine”.

Ao lançar mão desta alternativa, o diretor James Mangold conseguiu adaptar com muita clareza e assertividade um dos aspectos fundamentais do quadrinho: o Wolverine Ronin. Toda a relação entre o Carcaju e a sociedade nipônica, as metáforas de andarilho e de viagem sem destino estão muito bem colocadas e casam perfeitamente com a historiografia do personagem na cinessérie.

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