Personagens de games voltam à era Edo

E você poderia adiantar alguns dos seus próximos projetos?

Eu já tenho os rascunhos para Secret of Mana. Também tenho um para Final Fantasy I.
Paro o FF VII eu tenho uma outra coisa em andamento. Mas eu não deveria contar muitos detalhes. (risos) Eu já tenho uns rascunhos prontos e vai ser algo mais no estilo do Hokusai (autor de A Grande Onda de Kanagawa).

O nosso primeiro projeto tinha ilustrações com design tão complicados que nós tivemos que contratar pintores muito habilidosos para executar as obras. Infelizmente os aprendizes do David, que são seis ou sete, não conseguiam dar conta dessa complexidade. Estamos tentando construir um projeto que seria melhor para que eles pudessem participar também. Ele são muito bons, mas ainda não são mestres. Por isso, queremos algo com menos blocos de cores, mas mais traços. E serão mais baratos, mais acessíveis. Talvez seja uma coisa mais para os próximos anos, para 2014, 2015.

Hoje, você tem se dedicado inteiramente a esse projeto?

Sim. Foi engraçado que logo que o projeto do Kickstarter teve um boom, eu fui demitido. Eu trabalhava numa empresa desenvolvedora de softwares educativos para crianças e eu fiquei pensando “Oh, no!” Mas quando eu vi o projeto crescendo, eu pensei “Oh, yeah!”

Por enquanto eu estou bem, mas eu já estou pensando em novos projetos para dar continuidade ao atual. Já que as pessoas investiram no meu negócio, e quase que compraram esse meu tempo, é como se eu devesse esse tempo a elas, para fazer algo bem legal em retorno.
The Heroe RestsThe Heroe Rests
Da série, qual foi o desenho mais desafiador?

Cada um tem o seu desafio. O “The Heroe Rests”, que tem o Link tocando uma ocarina, foi particularmente difícil. Os jogos são tão cheios de ação e eu quis fazer um mais tranquilo. Então esse foi difícil porque eu tive que mudar as estruturas, transformar as poses de ação em algo que transmitisse sossego, mas que ao mesmo tempo mantivesse a beleza da cena. E eu quero fazer mais nesse mesmo sentido, porque muitas xilogravuras, como as que representavam a natureza, são muito bonitas e eu deveria despender mais tempo nelas.
Ainda que os jogos sejam mais de ação, eu acho que os fans de games têm muitas memórias que remetem à traquilidade, à emoção. Por isso, eu queria capturar um pouco mais desses momentos também.

Se você pudesse ser um herói, quem você seria?

Se eu pudesse continuar sendo um homem, eu queria ser Samus (personagem do jogo Metroid). Posso ser um Samous? Eu acho a armadura demais! Basicamente, seria um “Homem de Ferro”. Ele é legal, mas ainda assim, melhor seria um “Man Samus”.

E quanto ao Chibi Heroes?
“Quem quiser pedir aqui no Brasil, é só entar no ukiyoeheroes.com e nós enviaremos para cá”

Nós começamos o Chibi Heroes pensando nos aprendizes do David. Ele está com mais ou menos 6 aprendizes e eles são pagos pelo trabalho, o que é muito generoso da parte dele, porque muitos artistas não fazem isso. Alguns estudantes têm que inclusive pagar para poder praticar a arte em estúdios e o David não trabalha dessa forma, ele quer que eles sintam que as pessoas se importam com o trabalho deles.

Para cada trabalho, eles recebem a porcentagem de vendas. E isso está ligado ao nosso próximo projeto, também. Ele não veio por que também está muito ocupado, além das pinturas do projeto ele também faz reproduções de obras tradicionais.

É engraçado, nós simplesmente acordamos pela manhã, ligamos o skype e cada um começa a trabalhar e conversar e de repente, já são três horas da manhã e ele me fala “Ei, vai dormir”, aí eu falo ” Tá, eu vou pra cama às quatro”.

O artista Jed Henry fará uma palestra no dia 2 de março, sábado, juntamente com o artista brasileiro Fernando Saiki, que desenvolve trabalhos em arte tradicional japonesa. Além do bate-papo, haverá demostração da técnica no Joh Mabe Espaço Arte & Cultura. As vagas são limitadas e os interessados devem fazer inscrição pelo site da Fundação Japão.

A exposição da série “Ukiyo-e Heroes”, será aberta no dia 4 de março e vai até 12 de abril, no Joh Mabe Espaço Arte & Cultura. Para mais detalhes, clique aqui.

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