A influência de ‘A Rosa de Versalhes’

Mangá influenciou estilos como o lolita Divulgação / Leonardo Obara


No dia 23 de setembro, aconteceu o Meeting Comemorativo dos 40 Anos de Lady Oscar: A Rosa de Versalhes na Associação Mie do Brasil, em São Paulo.

A seguir, leia o artigo especial de Francisco Sato, jornalista e ex-presidente da Abrademi.

Meeting Comemorativo Lady Oscar 40 Anos
A Rosa de Versalhes (em japonês, Berusaiyu no Bara), também conhecido no Ocidente como Lady Oscar, é o título do mangá feminino mais famoso e influente do Japão, criado em 1972 pela desenhista Riyoko Ikeda.

O enredo central é a biografia polêmica da trágica rainha da França Maria Antonieta e de seu amante, o conde sueco Axel von Fersen. O mangá retrata o marcante e dramático período de transformações da Revolução Francesa. Neste contexto, Ikeda conta a história de sua heroína, Oscar de Jarjayes, a aristocrata comandante da Guarda Real que se torna uma revolucionária idealista ao se apaixonar por André Grandier, um jovem plebeu.

Apesar do nome masculino, Oscar é uma mulher que foi criada como menino desde o nascimento pelo próprio pai, um general da nobreza preocupado com a sucessão dos bens e privilégios da família – daí o nome “Lady Oscar”.

A Rosa de Versalhes foi um enorme sucesso desde sua aparição. A primeira edição do mangá – no formato de bolso – vendeu 12 milhões de exemplares e é republicado até hoje, também em outros idiomas.

Em 1974, a história foi adaptada para o Teatro Takarazuka (estilo musical japonês em que o elenco é formado só por mulheres) e desde então tornou-se a peça mais bem sucedida do Japão. Em três temporadas (1974, 1991 e 2005), A Rosa de Versalhes Takarazuka foi vista por mais de 4 milhões de espectadores, e uma nova montagem já tem estreia agendada para janeiro de 2013.

Ao longo de 40 anos, A Rosa de Versalhes conquistou ainda mais fãs no Japão e no exterior e gerou um fenômeno cultural que se estendeu ao comportamento, estética, música e moda, tornando-se o primeiro e único mangá considerado também obra literária, e que implantou no Japão o movimento romântico tal como o conhecemos no Ocidente.

No Japão, desde o início do ano, eventos comemoram os 40 anos de A Rosa de Versalhes. O curioso é o fato ser comemorado também no Brasil, país onde o mangá nunca foi publicado em português e tampouco o animê (que bateu recordes de audiência na Itália e na França) foi exibido na TV.

“Aqui, as manifestações de moda e de música influenciadas por Lady Oscar, como os estilos lolita, aristocrata e hime, e as bandas de J-rock e visual kei, chegaram antes do mangá graças à internet. Foi assim que essa nova geração conheceu A Rosa de Versalhes. É por isso que neste encontro, mostramos tudo que foi criado graças ao apreço dos fãs e da influência duradoura deste mangá na sociedade japonesa”, conta Cristiane A. Sato, autora do livro Japop: O Poder da Cultura Pop Japonesa.

Promovido pela Abrademi (Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações) com o apoio da Associação Brasileira de J-Fashion, o Meeting teve a palestra “O Fenômeno Lady Oscar – A Rosa de Versalhes”, desfile, apresentação da música-tema do animê com a cantora Vitória Oyadomari e exposição sobre o mangá, a cultura e a moda do século 18 e a moda Harajuku.

– Francisco Sato é jornalista e ex-presidente da Abrademi

Evento aconteceu na Associação Mie do Brasil, em São Paulo Divulgação / Leonardo Obara

*Observação: As opiniões manifestadas pelo autor não representam, necessariamente, as de Made in Japan.
por: Francisco Sato, especial para Made in Japan