Os novos desafios de Haikaa

Qual ou quais foram as línguas mais difíceis?

Os idiomas chineses: cantonês e mandarim. São muito difíceis, pois há nuances que eu nunca havia feito e é muito difícil de ouvir. Na verdade, você só consegue falar o que você ouve, e o meu ouvido não estava preparado para ouvir essas línguas. Coreano também foi muito difícil.

A língua que achei a mais difícil de todas foi o idioma nativo dos Estados Unidos chamado – vou escrever para você – lushootseed.

Na verdade, o letrista que trabalhou comigo é uma das três últimas pessoas que falam essa língua, que é um idioma que já entrou em extinção. Essa língua é muito difícil porque é muito primitiva do ponto de vista fonético. Eles imitam o som da natureza, então tem muito estalo de língua, tem que acumular saliva na língua e deixar o ar passar pelos dentes, tem o som da água, do fogo, do vento… E isso é uma coisa que não estamos acostumados a fazer. Então tive que aprender a pronunciar esse som e depois cantar. E ainda ficar bonito! [risos]

Esse idioma é de uma tribo chamada suquamish. Fiz questão de incluir idiomas indígenas. O guarani também, por exemplo, pois eu queria um idioma indígena do Brasil. Quis fazer dessa tribo da América do Norte, particularmente, porque o chefe dessa tribo se chamava Seattle (a cidade tem o nome por causa dele), e esse chefe ficou muito famoso por causa de um discurso que ele fez, na primeira metade do século XIX, quando o presidente dos EUA estava o pressionando para vender as terras da tribo.

Então o chefe fez um discurso muito bonito sobre como que ele daria o preço para as águas que correm com as lágrimas
dos antepassados, do vento que está com o espírito dos animais… Enfim, uma declaração muito bonita de amor à natureza. Creio que foi uma das primeiras manifestações ecológicas desses tempos modernos. É por isso que decidi fazer nesse idioma.

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