Os novos desafios de Haikaa

Por que foi para os EUA?

O fato de ter ido para os EUA foi uma coincidência. Ao longo desses anos, trabalhei com gente no Brasil e com produtores no Japão e nos EUA. Quando o álbum Work of Art começou a ganhar forma, comecei a trocar e-mails com o [produtor] Ross Legner, que começou a fazer alguns arranjos. Eu me identifiquei muito com a maneira como ele estava trabalhando no disco. Por causa desse núcleo de trabalho que acabei desenvolvendo nos EUA é que resolvi ir para lá – mas poderia ter sido em qualquer outra parte do mundo. Fui atrás da música e das pessoas que estavam entendendo meu trabalho e conseguindo transformar minhas emoções – que são muitas – em arranjos musicais. Isso não é algo fácil de conseguir.

Isso foi em que ano?

Esse projeto começou em 2007, quando comecei a composição das músicas.

Muitos atores e modelos nipo-descendentes reclamam sobre estereótipos no mercado. Na música, acontece a mesma situação?

É, as pessoas têm uma imagem pré-concebida. Particularmente, aqui no Brasil, enfrentei alguns tipos de… não vou dizer preconceito, porque não foi tão pesado assim… mas das pessoas relutarem por eu ter rosto de japonesa e cantar em português. Teve essa coisa de “ah, mas ela é japonesa e vai cantar bossa nova? Não combina”.

Eram composições minhas. Quer dizer, tanto combina que eu compus; nasceram de uma inspiração que eu tive. Então tem essa questão de as pessoas rotularem o descendente. Eu nunca sofri preconceito, mas existe uma imagem pré-concebida do que deve ser um oriental.

Pelo que li em seu site e por esta conversa, sinto que você valoriza muito a bagagem multicultural.

Para mim, esse aspecto multicultural e da diversidade é um dos lados mais importantes. Pelo fato de ter nascido no Brasil e vivido no Japão e Estados Unidos, pude perceber que as diferenças de raça, nacionalidade, religião, orientação sexual, por exemplo, são coisas que estão muito mais na superfície que na essência que a gente carrega como ser humano.

Essa bagagem multicultural de que gosto de falar é justamente para enfatizar que, no fundo, a gente é muito parecido, que as diferenças são muito interessantes. A gente aprende muita coisa ao entrar em contato com culturas, raças e religiões diferentes. Tudo isso é muito enriquecedor.

O mais importante é o que a gente carrega na essência. O desejo de ser amado, de se realizar, de ser respeitado, de encontrar seu lugar no mundo: tudo isso é universal e é por esse lado que eu me interesso muito.

Gostaria que você falasse sobre sua atuação nas redes sociais na internet, como Twitter, Facebook, YouTube… Quais os pontos positivos e negativos de tanta proximidade com o público?

Em primeiro lugar, como costumo dizer, sou uma artista da nossa era. Adoro o mundo digital, adoro as possibilidades que o mundo virtual oferece para a gente. Até brinco com meus amigos que eu sou quase como um espírito. Vejo o que meus amigos estão fazendo na Finlândia, o que um fã está fazendo no Nepal, coisas do dia a dia.

Gosto muito de poder transitar nesse mundo virtual. Como artista independente, ter uma plataforma digital é maravilhoso, porque é democrático, rápido, global e instantâneo. Possibilita que eu esteja em contato com as pessoas em tempo real e sem atraso. Publicou, quem estiver acordado já pode entrar em contato com o conteúdo, seja um vídeo ou uma música.

Quanto à proximidade que isso traz, está sendo muito legal. Felizmente, sinto que as pessoas que transitam nas minhas redes sociais são pessoas legais, 99% são pessoas muito bacanas. Eventualmente, acontece de alguma pessoa ser inconveniente, indelicada e cruzar algumas fronteiras. Até nisso as redes sociais são boas porque consigo bloquear os usuários. Então, para mim, é um instrumento muito positivo.

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