Novo filme de Hirokazu Koreeda estreia no Brasil

Cartaz brasileiro de 'O que eu mais desejo'

Cartaz brasileiro de ‘O que eu mais desejo’

Quando um Shinkansen (trem-bala) cruza com outro vindo no sentido contrário, a quantidade de energia é tão grande que é capaz de realizar desejos – esta é a base do filme O que eu mais desejo (Kiseki), que estreia nesta sexta-feira nos cinemas.

O filme começa com Koichi Osako, um menino de 12 anos, se preparando para ir a escola em um dia bonito.

Koichi vive com sua mãe e avós em Kagoshima, província localizada ao sul de Kyushu, região meridional do Japão; já seu irmão mais novo Ryunosuke mora com o pai em Fukuoka, norte de Kyushu.

Antes da separação, a família vivia em Osaka – daí o modo de falar dos irmãos, com expressões do chamado “dialeto de Kansai” (Kansai ben). Por exemplo, ao invés de “arigatou” (obrigado, em japonês), os meninos falam “ookini”; “hontou ni?” (é verdade?) vira “honma ni?”, além da mudança da forma negativa dos verbos de “~nai” para “~hen”.

Durante uma aula, ele escuta dois colegas conversarem sobre a história dos Shinkansen. Então ele tem a ideia de fazer um pedido: que a família volte a viver junta novamente. O título original do filme, “Kiseki”, significa “milagre”, em japonês.

Com a liderança de Koichi, os dois irmãos planejam a viagem até a província de Kumamoto, onde os trens se encontrarão. Junto com eles, eles levam alguns amigos, cada um com seu próprio desejo.

Irmãos de verdade
Koki e Oshiro Maeda, os atores que interpretam Koichi e Ryu, são irmãos de verdade. Não apenas por isso, mas a atuação de todas as crianças é bem natural e, mesmo entre os coadjuvantes, é fácil identificar uma personalidade. O diretor Hirokazu Koreeda trabalhou com crianças em Ninguém pode saber (2004), ainda que em um contexto muito diferente.

No elenco adulto, Koreeda reuniu boa parte dos atores de Aruitemo Aruitemo (2008). Hiroshi Abe, Yoshio Harada, Kirin Kiki e Yui Natsukawa fazem pequenas participações nas subtramas, tão comuns nos dramas japoneses, mas que sempre retornam à história das crianças.

Para quem nunca assistiu a um filme japonês (e sem contar as animações e os de terror), este é um bom início. O filme se desenvolve de maneira muito fluente, sem nada tão abstrato como Depois da Vida (1998), também dirigido por Koreeda, que muitos criticaram alegando falta de ritmo.

As cenas alternam entre Kagoshima e Fukuoka, destacando o cotidiano de cidades longe das grandes metrópoles japonesas, mostrando um pouco da rotina das escolas primárias e das casas típicas, algumas das quais com um pequeno comércio anexo. É possível ver as ruas estreitas, a beira do rio e, claro, o vulcão Sakurajima, que, ao lado do Fuji, é uma das montanhas mais famosas do Japão.

Em determinado momento, as crianças citam o jogador de baseball Ichiro Suzuki e os integrantes da boy band Arashi. Porém, não há nada “japonês demais” que impeça o pleno entendimento do filme para aqueles que colam adesivo de kanji no carro ao contrário.

[Made in Japan assistiu a ‘O que eu mais desejo’ a convite da Fundação Japão de São Paulo e da distribuidora Imovision]

O que eu mais desejo (Kiseki)
Direção: Hirokazu Koreeda
Elenco: Koki Maeda, Oshiro Maeda, Hiroshi Abe, Yoshio Harada, Kirin Kiki, Yui Natsukawa, Joe Odagiri
País: Japão
Ano: 2011
Estreia no Brasil: 18 de maio de 2012
Distribuição: Imovision

Datas e locais de exibição no site da distribuidora: www.imovision.com.br