A gastronomia do Festival do Japão – Parte 2

O Ao Oni Kun (diabinho azul) é o mascote de Kagawa
O Ao Oni Kun (diabinho azul) é o mascote de Kagawa

Não é apenas o sabor e a degustação: os estandes das associações de províncias levam sempre a sua cultura para o Festival do Japão.

O estande da Associação da Província de Kagawa no Brasil oferecia o Sanuki Udon, que leva legumes, carne, cebolinha, kamaboko (massa de peixe) e temperos. O udon é um tipo de macarrão mais grosso, feito de farinha de trigo. Consta que o udon chegou ao Japão por meio de monges budistas chineses. O primeiro lugar a ter preparado o udon no Japão foi a província de Sanuki, que é o antigo nome de Kagawa, localizada em Shikoku, ao sul do arquipélago japonês.

Outro aspecto cultural de Kagawa representado no estande era o Ao Oni Kun estampado nas costas do happi (traje japonês típico de festivais). O personagem, cujo nome pode ser traduzido como “diabinho azul”, é mascote da província. O oni simboliza proteção contra doenças e maus espíritos.

A Associação Hokkaido de Cultura e Assistência tradicionalmente oferece o yaki nishin (arenque grelhado), importado do Japão especialmente para o evento, representando a tradição de bons pescados da província. O Festival do Japão é a grande oportunidade de degustar este que é um prato concorrido, que costuma acabar rapidamente. “Houve ocasiões em que o nishin acabou já no sábado. Daí no domingo, as pessoas vêm procurar, mas não tem mais”, disse um representante do estande.

O kaki no hazushi é o prato típico da província de Nara
O kaki no hazushi é o prato típico da província de Nara

A Associação Cultural e Recreativa Nara Kenjinkai do Brasil levou seu prato típico, o kaki no hazushi, que é um sushi embrulhado em folha de caqui. Como Nara é uma província sem saída para o mar e localizada em uma região montanhosa, antigamente, foi preciso encontrar uma forma de transportar o peixe das províncias costeiras vizinhas de Mie e Wakayama. Assim, o peixe era embrulhado na folha de caqui, que contém tanino, substância que age como conservante natural. Com esse método, o sushi pode ser conservado por até dois dias sem refrigeração. O sabor fica um pouco diferente, levemente salgado. O kaki no hazushi é outro prato encontrado somente no Festival do Japão.

No estande da Associação Cultural Tottori Kenjin do Brasil, foi servido o Daisen Okowa, que é um prato composto de mochigome (arroz japonês), benishouga (tipo de gengibre), ervilha, daikon (nabo) e takuan (tipo de picles japonês). O okowa é um prato que existe em outras partes do Japão também, mas o de Tottori é considerado um dos melhores do país. Daisen é o nome de uma montanha localizado na província de Tottori. Ponto mais alto da região de Chugoku (centro-sul do Japão), o Daisen é considerado sagrado – sua forma lembra o monte Fuji.

Para sobremesa, o estande da Associação Ishikawa Ken do Brasil serviu o sakura mochi, que é um bolinho doce de arroz embrulhado em folha de sakura (cerejeira) vindas do Japão. Como província famosa pelos doces tradicionais japoneses (wagashi), o estande também vendia o sanshoku ohagi, conjunto de três doces feitos de anko (pasta de feijão tipo azuki), mochigome e gergelim.

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