A gastronomia do Festival do Japão-Parte 1

Foto: Henrique Minatogawa

O Ayu no Shioyaki Set foi vendido no estande de Gifu

O Festival do Japão é uma das melhores oportunidades para conhecer a grande variedade de sabores da culinária japonesa. Estandes representando as 47 províncias japonesas trouxeram muito das especialidades locais e também adaptações. O Made in Japan selecionou alguns pratos mais diferentes entre os presentes no Festival do Japão 2011.

No estande do Gifu Kenjinkai, o prato principal foi o Ayu no Shioyaki Set, que era formado por um peixe ayu grelhado (temperado apenas com sal), servido com dois onigiri (bolinho de arroz) e conserva de ume (ameixa japonesa). A última unidade foi vendida ao meio-dia de domingo. Como o peixe foi importado do Japão exclusivamente para o evento, pelo menos por enquanto, não é possível degustá-lo em restaurantes.

A culinária de Okinawa, conhecida pelos sabor mais forte, foi representada pelo Yagi Jiru (sopa de cabrito), Okinawa Soba e Sata Andagui. O soba à moda de Okinawa é diferenciado pela utilização da carne de porco. O Sata Andagui é um doce semelhante ao “bolinho de chuva”, mas é preparado de forma diferente, em que a massa se abre, ao invés de fechar. Como há poucos restaurantes especializados em pratos okinawanos, o festival é uma ótima oportunidade para conhecê-los.

Da província de Yamanashi, vem o Houtou, chamado de “Udon dos Samurais”. Segundo Hissao Myasawa, vice-presidente do Yamanashi Kenjin do Brasil, o prato era a fonte de energia do exército de Takeda Shingen, um dos maiores senhores feudais do Japão, que viveu no século 16. Os ingredientes do Houtou são macarrão tipo udon, kabocha (abóbora), cenoura, inhame, shiitake (tipo de cogumelo), negi (cebolinha), kamaboko (massa de peixe), pernil, hondashi (tempero à base de peixe), misso (pasta de soja) e temperos especiais.

No estande da Associação Miyagui Kenjinkai do Brasil, o prato que mais chamou a atenção foi o Gyutan (língua de boi assada). De acordo com representantes da associação, a origem desse prato remete às épocas em que o Japão passou por dificuldades, quando se aproveitava ao máximo os alimentos. Com o passar do tempo, a receita do Gyutan foi sendo aperfeiçoada, integrando-se à culinária local.

Marcelo Tateishi, voluntário no estande da Associação Kumamoto Kenjin do Brasil, falou sobre o Karashi Renkon, que é raiz de lótus recheada com mostarda. “Quando um senhor feudal de Kumamoto ficou doente, um dos médicos criou esse prato para que ele se recuperasse”, contou Marcelo. Desde então, o Karashi Renkon é tido como um símbolo de alimento saudável. A raiz de lótus (renkon) também é considerado um alimento de boa sorte, muito consumido no Ano Novo, pois ela está repleta de furos: por mais que se corte a raiz, o número de furos se mantém constante – em uma analogia a uma vida tranquila e sem imprevistos.