Segundo lenda, mochi preparado por coelho faz Lua ser branca

Representação de silhueta de coelho e pilão na Lua

Representação de silhueta de coelho e pilão na Lua

O coelho, um dos símbolos da Páscoa, também faz parte do folclore japonês e de outros países da Ásia, como símbolo de calma, tranquilidade e diplomacia. Inclusive, o ano de 2011, segundo o calendário chinês, é o ano do coelho.

De acordo com o folclore do Oriente, é possível identificar a silhueta de um coelho durante a Lua cheia, enquanto no Ocidente, costuma-se visualizar uma face humana.

Uma lenda japonesa conta que na Lua vive um coelho que passa os dias batendo mochi (massa feita de arroz) em um pilão. Como essa atividade faz levantar pó branco vindo do arroz, a Lua seria branca por esse motivo. Interpretação semelhante acontece na versão coreana, em que o coelho é chamado de “daltokki”, que significa literamente “coelho da Lua” em coreano. Já segundo o folclore chinês, o coelho prepara a poção da imortalidade para a deusa Chang’e.

O nome da personagem Usagi Tsukino, do anime Sailor Moon, tem seu nome derivado dessa lenda. Em japonês, “usagi” significa “coelho” e “tsuki”, Lua. Na sequência japonesa para escrever nomes, seria “Tsukino Usagi”, que é um trocadilho para “coelho da Lua”.

Uma lenda de origem budista adaptada no Japão conta que na Lua morava um velhinho que resolveu vir à Terra para descobrir qual animal era mais generoso: a raposa, o macaco ou o coelho. Com a aparência de um mendigo, o velhinho disse aos três bichos que tinha fome. Todos foram procurar comida para ajudá-lo, mas apenas o coelho não conseguiu encontrar.

Imagem do coelho da Lua em tecido chinês do século 18. Foto: CC/Vmenkov

Imagem do coelho da Lua em tecido chinês do século 18. Foto: CC/Vmenkov

O coelho pediu à raposa e ao macaco que fizessem uma fogueira, depois disse que saltaria no fogo para oferecer a própria carne para o velhinho. O velhinho o impediu, levando-o para a Lua, onde podem ser vistos juntos quando a Lua está mais brilhante. Essa lenda faz parte do livro “As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas – Livro 1”, de Florence Sakade e Yoshisuke Kurosaki, publicado pela Editora JBC.

Uma vez que o Japão é um país de maioria budista e xintoísta, a Páscoa, um evento cristão, não é tão conhecida no país como o Natal ou o Dia dos Namorados, já adaptados à cultural local.

Em japonês, a palavra “Páscoa” pode ser traduzida como “isutaa” (イースター) ou “fukkatsusai” (復活祭) – para visualizar os caracteres, é preciso ter instalado no computador suporte ao idioma japonês. Os ideogramas (kanji) que formam a palavra “fukkatsusai” contêm a ideia de ressureição e celebração.