Mombojó tem clipe inspirado em heróis japoneses

Os seriados de super-heróis japoneses dos anos 80 serviram de inspiração para o novo clipe da banda recifense Mombojó, destaque no cenário de rock independente nacional.

No vídeo da canção “Papapa”, lançado em julho, a banda aparece como um grupo sentai (em que cada um dos cinco heróis possui uma cor diferente). A estética do trabalho, ao mesmo tempo “retrô” e moderno, reflete o gosto da banda por misturar referências – o rock do Mombojó possui elementos de música eletrônica sem abrir mão de um tempero regionalista.

“O pessoal viveu a época de super-heróis japoneses (que passavam na televisão brasileira na década de 90). Para o clipe, eles queriam algo relacionado a isso. Juntei pedaços da letra com elementos que casassem. A mulher oriental vestida de preto, por exemplo, tornou-se uma supervilã que simboliza as sombras da música”, explica Fernando Sanches, diretor do vídeo.

O clipe foi indicado na categoria de melhor do ano para o prêmio VMB 2010, da emissora MTV Brasil. Segundo Sanches, o vídeo deve ter uma continuação, com uma outra música do Mombojó. “Estamos pensando em utilizar monstros japoneses”, revela.

“Papapa” faz parte do terceiro disco da banda, “Amigo do Tempo”, que pode ser baixado no site oficial do grupo. Os pernambucanos uniram-se para tocar em 2001 e, desde então, têm recebido boas críticas da mídia especializada e participado de festivais de importância nacional, como o Abril Pro Rock.

O tecladista Chiquinho falou à Made in Japan sobre a relação do grupo com a cultura japonesa. Confira.

Entrevista – Chiquinho, tecladista do Mombojó

Por que vocês queriam, para esse clipe, algo relacionado com seriados japoneses?
Era algo que a gente pensava em fazer há muito tempo. A ideia fortaleceu depois que viramos cinco integrantes (a banda perdeu Rafael Virgílio, que faleceu, e Marcelo Campello, que deixou o grupo). Caía como uma luva, pois representava a união dos que sobraram. Nossa geração viveu muito tudo isso: Jaspion, Changeman, Jiraya. Acabou sendo a realização de um sonho de infância de todos.

Vocês parecem se divertir no clipe. Como foi gravá-lo?
Nos divertimos muito, mesmo. Ficamos felizes de ver como nossa viagem foi tão bem traduzida pelo diretor (Fernando Sanches). Estávamos dentro de um estúdio, uma equipe toda trabalhando no clipe, figurinos de super-heróis japoneses, uma coreógrafa de verdade ensaiando com a gente, uma japonesa que dançava muito. Alta produça, né!

Há algo da cultura pop japonesa (música, estética, videogames) que influencia o grupo?
Gostamos muito de tudo isso que você falou. Nossa geração cresceu vivendo muito a cultura da estética japonesa, principalmente nos desenhos e séries. Isso sem falar nos jogos de videogame, que até hoje fazem muito parte da nossa rotina. Eu, particularmente, gostaria de conhecer mais da música. A língua japonesa me traz algum tipo de nostalgia. Curtia muita a trilha sonora dos Cavaleiros do Zodíaco. Dos mais modernos, a gente ouve muito o grupo Pizzicato Five. Uma coisa que abriu muito a minha cabeça foi a união entre (os artistas musicais) Daft Punk e Leiji Matsumoto, dando origem ao (filme de animação) “Interstella 5555, The Story of The Secret Star System”.

Vocês têm vontade de visitar o Japão ou tocar por lá?
Eu diria que essa é a meta maior do Mombojó no momento. Só de andar pelas ruas do Japão, estaria bem satisfeito. Seria bom conhecer a cozinha japonesa original. Falando nisso, fomos homenageados por um sushi bar aqui de Recife chamado “Sumo”. Eles criaram um prato chamado “Uramaki Mombojó”. Que beleza! Aos poucos, estamos chegando perto do Japão.

Por que adotam a postura de disponibilizar gratuitamente as músicas na internet?
Apostamos muito na ideia de espalhar nossa música com o máximo de facilidade para o público. Não temos pretensão de ser a banda que mais vende discos. Queremos ter um público cada vez maior e disposto a pagar para nos ver tocar ao vivo. Claro que, se gostarem, também é muito válido que queiram comprar nossos produtos.

Vocês têm recebido comentários positivos de fãs sobre o novo disco, Amigo do Tempo?
Sim, de modo geral as pessoas estão gostando dessa nova fase do Mombojó. É claro que também tem gente que não gostou. Essa é a graça de se trabalhar com arte.

Reportagem: Gabriel Nanbu

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