Jizo, o guardião das crianças

Estátua de Jizo Bosatsu (Foto: Chaojikaku – CC)

Eles estão espalhados por todos os lados. Nas ruas das cidades japonesas, no interior, em cemitérios e também em templos budistas, você pode se deparar com uma estatuazinha simpática, na forma de um menino sem cabelo. O Jizo não serve apenas como simples decoração. Ele é considerado o guardião das crianças. É bastante comum encontrarmos as pequenas estátuas enfeitadas com lenços vermelhos, gorros ou roupas infantis, em sinal de agradecimento pela proteção cedida a todas as crianças.

As estátuas do Jizo, uma divindidade que protege a alma das crianças, são parecidas umas com as outras e variam apenas em tamanho e trajes

Ainda hoje, as pessoas reverenciam a divindade budista que protege os bebês que viveram por pouco tempo, amenizando o sofrimento das almas infantis.

O Jizo é mais popular entre as pessoas simples, considerado também protetor das mulheres grávidas, bombeiros, viajantes e peregrinos. Seu nome significa “Útero da Terra” (Ji de terra e Zou de útero) e em termos de popularidade, o Jizo pode ser comparado facilmente ao nosso Santo Expedito, o santo das causas urgentes.

Segundo a lenda, as crianças que morrem prematuramente são enviadas ao mundo inferior por causar sofrimento aos pais. Enquanto pedem a misericórdia de Buda, são torturadas pela bruxa Shozuka no Baba. Compadecido pela situação, Jizo intervém no destino das almas das crianças e as resgata daquele lugar.

Há diversos tipos de estátua, mas a mais conhecida é a do Mizuko Jizo, cujo nome provém da junção das palavras mizu (água) e ko (criança), em referência ao líquido em que elas ficam submersas durante a gestação.

Desenho do personagem Jizo, do mangá Butsu-Zone. Ele protege a menina Sati, e conduz as pessoas pelo caminho da iluminação


A forte presença do Jizo na crença popular japonesa é enraizada na própria história do país. Os primeiros registros são da Era Nara (710 a 794 d.C.) e foram difundidos graças a ensinamentos budistas e xintoístas com o passar dos séculos, atingindo uma maior notoriedade durante o período Heian (794 a 1185 d.C.). Ironicamente, não há registros do termo Mizuko nas escrituras budistas referentes ao Jizo, por isso seu culto não é uma tradição oficial, mas sim uma resposta à necessidade humana de amenizar o sofrimento das mulheres que sofrem aborto.

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