A origem dos sobrenomes japoneses

Em 1870, como medida para organizar o país, o governo recém-unificado determinou que todos tivessem sobrenomes. Em 1875, o registro de nome e sobrenome no Koseki Tohon virou obrigação, iniciando uma corrida que exigia muita imaginação. Alguns mantiveram os nomes de suas profissões ou locais de nascimento, pelos quais já eram conhecidos.

Outros pediram ao senhor das terras em que trabalhavam para lhes inventar um – nessas idas e vindas, vilas inteiras recebiam o mesmo sobrenome. Os mais supersticiosos recorreram aos conselhos de monges, enquanto outros aproveitaram a oportunidade para se fazer passar por nobres.

A obrigatoriedade repentina somada à urgência do cumprimento da lei foram as causas para a existência de tantas formas de escrever e ler esses nomes. É verdade que “apenas” 7 mil deles nomeiam 96% da população nos dias de hoje, mas dá para imaginar o que existe nos outros 4%.

Estrutura
Existe uma grande imprecisão sobre quantos sobrenomes há hoje no Japão. Pesquisadores afirmam haver 80, 100, 200 e até 300 mil tipos. Uma das principais causas dessa gigantesca variação é o método de contagem. Há quem considere só a escrita, enquanto outros observam também as formas de leitura.

O sobrenome 鈴木, por exemplo, pode ser lido como Suzuki, mas também como Susugui, Susuki, Suzunoki, Suzu, Suzushi, Susu, Susuheri, Susuriki, Suzugui, Zusuki, Zuzuki, Nuzuki, entre outros. Para complicar ainda mais, Suzuki pode ser escrito em mais de uma dezena de formas diferentes (Exemplos: 鈴木, 須々木, 鈴置 etc). Assim como Suzuki, a maioria dos sobrenomes são compostos de dois kanji. Geralmente, os japoneses procuram equilibrar a relação entre nomes e sobrenomes. Se o nome de família tem um kanji, o nome deve ter dois ou três, enquanto alguém com um sobrenome composto de quatro kanji tem, preferencialmente, o nome com apenas um.

Essa relação entre nome e sobrenome também tem outras regras. É costume no Japão o nome de família vir antes do nome de “batismo”. Uns dizem que é por causa da valorização da família sobre o indivíduo. Mas a teoria mais aceita, e curiosa, diz que essa relação deriva da própria estrutura lingüística da qual surgiram os sobrenomes.

Numa explicação superficial, a língua japonesa demonstra a relação de posse pela partícula “no”. Para falar, por exemplo, a “maçã do Takeda”, escreve-se “Takeda no ringo”. Seguindo essa ideia, O Yamamoto no Hiroshi citado no começo da reportagem seria o Hiroshi “do” Pé da Montanha. Assim, quando entrou em vigor a lei que obrigava todos a terem sobrenomes, muitos apenas dispensaram a partícula do meio, como o Yamamoto Hiroshi.

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