Nikkeis na mídia

Prova dessa mudança dos papéis destinados a japoneses é a nova geração de nikkeis que ganha papéis considerados comuns, sem estereótipos. Como o ator e apresentador Kendi Yamai, que participou de novelas, filmes e mais de 400 campanhas publicitárias. Ao lado do parceiro Mário Ikeda, apresenta atualmente um quadro no programa Amaury Jr., na Rede TV!.

O currículo de Kendi se distancia cada vez mais dos personagens caricatos. “Escapei dos caricatos. Não acho ruim ter esse tipo de personagem mas, ao mesmo tempo, acho bom ter o japonês ‘normal’, interpretando um empresário, por exemplo, e não apenas um tintureiro ou pasteleiro”, afirma.

Em uma campanha publicitária de uma grande rede de lojas, Kendi emprestou sua imagem para divulgar eletrodomésticos. Nesse mesmo período, o Japão se consolidava como país da tecnologia. Os nikkeis davam adeus aos estereótipos. Os descendentes passaram a ganhar espaço na mídia para divulgar credibilidade, confiança e garantia.

Resultado de uma bem-sucedida mistura de japonês e árabe, a ex-BBBs Sabrina Sato Rahal, 27 anos, conquistou o público do Brasil e do Japão, com seu jeito ingênuo com sotaque caipira.

Além de ser uma das apresentadoras do programa Pânico na TV!, da Rede TV, Sabrina é a cobaia das experiências e testes executados por Bola, e também tem como função defender os entrevistados que participam do humorístico. “Os humoristas são rápidos, ágeis no raciocínio e pegam pesado. Mas no fim, como sou mais lerda, eu é que sou o alvo das piadas do convidado ou dos humoristas”, diz. “Ela se faz de tonta, mas é um gênio”, brinca Emílio Surita, que comanda a trupe do Pânico. A sansei, que lançou o bordão “é verdade”, mantém nos bastidores as mesmas características que apresenta em cena, o que confunde muitas pessoas: “tem vez que eu sou boba para caramba e tem vezes que as pessoas acham que eu sou boba”, conta Sabrina.

Apesar de contar com a ajuda de um figurinista, Sabrina não dispensa uma mala cheia de opções de roupas e acessórios. Ela acredita que alguns toques do figurino que usa no programa remete à moderna moda que é coqueluche nas ruas nipônicas. “Eu gosto de sainha… é até um estilo bem ‘japa’, sabe? Meinha com sandália, saia rodada e roupas coloridas”, comenta.

Inseridos e valorizados na sociedade brasileira, os nikkeis não estão mais presos aos estereótipos que foram tão marcantes quando os primeiros artistas descendentes de japoneses começaram a aparecer na TV brasileira.

O estilo ‘japa’ de Sabrina Sato em nada lembra os quimonos que Rosa Miyake costumava usar em algumas apresentações que fazia no início de sua carreira. Completamente inseridos na sociedade brasileira, eles integram bandas, apresentam programas e telejornais e encarnam personagens livres de sotaque carregado e sorriso fácil. Nomes como de Daniele Suzuki, Fernanda Takai (ler box) e Japinha (banda CPM 22) são ídolos muito além dos limites da comunidade nikkei.

FERNANDA TAKAI

Foto: Ricardo Miyajima

Foto: Ricardo Miyajima


Uma das expoentes do universo musical do pop nacional, Fernanda Takai é uma figura que representa o estilo da nova geração nikkei. Nascida no Amapá, ela morou seis anos na Bahia, mas foi criada em Minas Gerais, onde está até hoje. A mestiça possui laços distantes com a cultura japonesa. Mas nem por isso, deixa de valorizar suas raízes.

Recentemente, viajou duas vezes ao arquipélago e tem expressado, por meio de seus trabalhos, o resgate do legado deixado por seu pai Vitorio. Em 2007, lançou o livro Nunca subestime uma mulherzinha, que reúne contos e crônicas publicados nos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. Algumas histórias falam de sua experiência no Japão e do contato com a cultura nipônica. Mas é na música que a artista consegue maior projeção na mídia. Ainda adolescente montou uma banda, a Data Vênia, onde tocava baixo.

Mas o ingresso no curso de Jornalismo acabou dissolvendo o grupo. Mais tarde conheceu John Ulhôa, que a convidou a integrar o grupo Pato Fu. No final de 2007, Fernanda apresentou seu primeiro trabalho solo, o CD Onde Brilhem os Olhos Seus, em que canta músicas interpretadas por Nara Leão.

DANIELE SUZUKI

Ela é a atriz nikkei mais conhecida da atualidade. Sua trajetória de papéis na TV Globo alavancaram sua carreira para transformá-la no rosto com traços nipônicos mais conhecido do Brasil. Seu início de carreira começou cedo, ao gravar seu primeiro comercial de TV aos 10 anos. Mas os papéis de destaque viriam mais tarde.

Após alguns testes, Daniele estréia na TV em 2000, na novela Uga Uga, como Sarah. Em seguida interpretou Yoko, a namorada de Junior Lima, em Sandy & Junior. Em seguida, deu vida à personagem Miyuki, em Malhação. Em 2005 viveu Yoko Bell, na novela Bang Bang, e no ano seguinte interpretou Rosa, de Pé na Jaca. Com duas Yokos e uma Miyuki no currículo, a atriz não acredita que os personagens nikkeis que interpreta sejam estereotipados.

“Eles não são caricatos. São normais como qualquer família japonesa.” Atualmente, aos 30 anos, prepara-se para viver Alicia, secretária de Cícero, interpretado por Osmar Prado, em Ciranda de Pedra, próxima novela das 6 da tarde da Rede Globo.