Autor australiano se recusa a desculpar por livro sobre princesa Masako

“Bizarro, não-profissional e confuso.” Foi assim que o jornalista australiano Ben Hills considerou o pedido de desculpas intimado pelo governo japonês por causa de seu livro que trata da vida da princesa Masako.

Premiado repórter investigativo em seu país, Hills resolveu ir para o ataque contra os críticos da obra “Princesa Masako, Prisioneira do Trono de Crisântemo”, lançado em novembro na Austrália.

“Esta é uma tentativa do governo japonês de abafar e censurar o meu livro e acho isso absolutamente escandaloso”, disse o jornalista.

Na segunda-feira, diplomatas da Embaixada japonesa em Canberra enviaram uma carta para Hills e para a editora Random House Australia, protestando contra informações contidas no livro. A mensagem diz que seu conteúdo é difamatório e contém “descrições desrespeitosas, distorções de fatos e julgamentos falsos em relação ao nascimento da princesa Aiko e das condições físicas e psicológicas da Majestade Imperial a princesa Masako”.

Ainda na carta, o governo japonês pediu para que o jornalista se retratasse e fizesse correções. Mas Hills diz que ainda não foi informado sobre o que deveria ser corrigido.

“Ela (a carta) realmente não especifica nada em particular”, diz Hill. “Ela é apenas fruto de entusiasmo. E isso é pouco profissional.”

Após questionar os diplomatas, Hills disse que um dos aspectos polêmicos de seu livro foi a declaração sobre o nascimento da filha da princesa Masako, a princesa Aiko, que foi concebida por fertilização in vitro.

“O público japonês foi mantido na escuridão por todos esses anos sobre o que está acontecendo por trás da fortaleza”, diz. “Os burocratas estão se mexendo apenas para se protegerem de críticas.”

Hills reiterou que não pedirá desculpas e planeja manter o lançamento do livro no Japão, que deverá ocorrer em março pela editora Kodansha.

“Não há nada para se desculpar. Na verdade, há somente um personagem nesta saga que merece receber perdão, que é a princesa Masako. Acho que o Kunaicho (Agência da Casa Imperial) deveria se desculpar a ela por tê-la feito sofrer tanto.”