Koizumi ignora críticos e visita santuário de guerra

O primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, ignorou nesta terça-feira seus críticos e aplicou um novo e duro golpe contra as relações de Tóquio com seus vizinhos na Ásia ao visitar um santuário onde são homenageados japoneses condenados e executados por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos no passado.

Com a visita de hoje, aniversário da rendição japonesa na Segunda Guerra Mundial, ao santuário Yasukuni, Koizumi, que ficará no cargo somente até setembro, deixa para seu sucessor a missão de reparar as relações com seus vizinhos asiáticos, especialmente a China e a Coréia do Sul.

Koizumi visita anualmente o santuário para cumprir uma promessa de campanha feita em 2001. O episódio desencadeou protestos por parte da China e da Coréia do Sul.

As relações do Japão com seus vizinhos encontram-se em seu pior nível em décadas. Além das visitas de Koizumi ao santuário Yasukuni, continuam em curso disputas por território, recursos naturais e outros assuntos.

“O Japão ficará isolado se demonstrar que não se preocupa com as críticas internas e externas”, avaliou Yoshinori Murai, um cientista político da Universidade Sophia de Tóquio.

Pequim e Seul protestaram imediatamente.

“Em nome do governo e do povo da China, manifesto a mais forte indignação ao condenar” a visita, disse o chanceler chinês, Li Zhaoxing, ao embaixador japonês em Pequim, Yuji Miyamoto.

O presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun, pediu ao Japão que “prove que não tem a intenção de repetir” as agressões cometidas no passado. O governo sul-coreano convocou o embaixador japonês em Seul para emitir um protesto formal.

Koizumi defendeu a visita alegando ter ido ao santuário rezar pela paz e homenagear os soldados mortos em guerra, e não para glorificar o militarismo. Dezenas de parlamentares japoneses também rezaram hoje ao lado do primeiro-ministro.