Seleção Japonesa de judô realiza treinos no Brasil

Primeiro, os japoneses importaram Zico para levar a ginga brasileira do futebol. Agora, eles vêm ao Brasil para “aprender” o que faz a diferença no judô nacional. Até quinta-feira a seleção japonesa de judô ficará em São Paulo participando de um treinamento conjunto com as seleções A e B, sub-26 e júnior do Brasil.

O objetivo, explica o técnico Hitoshi Saito, é aprender a técnica de solo (newaza) e o segredo do equilíbrio nacional no trabalho com as pernas. Para isso, vale recorrer à tradição futebolística ou buscar conhecimento no jiu-jitsu nacional. “O brasileiro faz um trabalho de perna incrível”, elogia Saito, que também foi campeão mundial. “Permite a pegada e em golpes que derrubariam outros, ele consegue manter o equilíbrio mesmo em uma perna só”.

Mas o grande interesse dos japoneses no treino é mesmo o newaza. “A técnica de chão no Brasil é muito forte”, avalia o campeão mundial Yasuyuki Muneta, que vai mais longe ao dizer que esta pode ser “até melhor que a japonesa”. Um elogio que o meio-médio medalhista olímpico Flávio Canto acha exagerado. “O Japão é a escola mais completa, são nossa referência. Eles também são muito bons em newaza, mas claro que temos uma geração muito boa aqui”.

Sempre citado quando o assunto é imobilização e técnica no solo, Canto está na mira dos estrangeiros, que chegam a fazer “fila de espera” para treinar com o brasileiro. E ele não se preocupa com o risco de entregar o ouro para o adversário. “É o princípio da propagação de conhecimento, dar e receber. Da mesma maneira que a gente aprende com eles, ensina. Não tem isso de esconder as armas”, garante.

Esta é a primeira vez que a seleção principal japonesa treina no Brasil. “É uma honra. Eles são os papas do judô”, comemora Canto.