Karaokê

Fotos - Made in Japan
Acima, interior de um karaokê box de Tokyo: luzes coloridas e mais privacidade

Mais que uma forma de lazer, o karaokê é quase um item obrigatório na vida da sociedade japonesa. Ele é o local preferido dos nipônicos para festejar um aniversário, encontrar os amigos ou fazer um happy hour.

A popularidade do karaokê é tão grande que ele é a quarta diversão preferida dos nipônicos, de acordo com uma pesquisa realizada em 2002 pelo Centro de Desenvolvimento do Lazer, órgão vinculado ao governo japonês. Em 2001, um levantamento indicou que o número de adeptos de karaokê no Japão está estimado em 48 milhões de pessoas, ou seja, mais de um terço da população do país, 127,3 milhões de habitantes, adora cantar.

No Brasil, o karaokê é um velho conhecido da comunidade nipo-brasileira, que organiza concursos conhecidos como tai kais. Como torneio de música é coisa séria entre os descendentes, não foi difícil o surgimento de talentos que extrapolaram os campeonatos no Brasil e no Japão e agora fazem sucesso em shows e programas de televisão. Participantes de campeonatos de karaokê, os irmãos Melissa e Marcus Manako ganharam notoriedade nacional no Programa Raul Gil, da Rede Record, e hoje estão lançando seu primeiro CD, Amor sem fim. Na mesma trilha, segue Joe Hirata, vencedor do NHK Grand Champion Tai Kai, o mais importante concurso japonês. O karaokê também serviu para que a menina Sayuri moldasse o vozeirão para hoje fazer sucesso no grupo Trem da Alegria e abriu as portas para Kendi Yamai e Karen Ito irem cantar no Japão.

Mas a mania que conquistou os japoneses não se restringe somente aos nikkeis. Com a popularização do videokê, cantar se tornou uma opção divertida para que os brasileiros soltem a voz e, pelo menos por alguns momentos, se sintam estrelas da música, exatamente como acontece no Japão. Conheça, nas próximas páginas, o universo do karaokê nos dois países.

Melissa e Marcus

A dupla de descendentes de japoneses acaba de lançar um CD por uma gravadora multinacional

Música se aprende em casa. Para os irmãos Melissa, 24, e Marcus Makano, 19, a cultura musical veio mesmo de casa – mais precisamente do pai, Luiz Makano, um cantor dos tai kais (concursos de karaokê). Antes dele, o próprio avô da dupla também se arriscava nos microfones.

0109_melissa_marcos.jpgMelissa e Marcus MakanoOs irmãos, porém, superaram qualquer expectativa da família.

Aos 6 anos, Melissa já ensaiava as primeiras notas vocais. Marcus começou a cantar aos 3. Daí para mergulhar no universo de karaokês, microfones, fitas cassete e muita música foi um pulo – até um ano e meio atrás, a rotina dos fins de semana da família Makano incluía participar dos mais concorridos tai kais da colônia. “Era bem divertido”, diz Melissa.

“A gente passava o dia inteiro lá e eu brincava muito, ficava todo sujo”, ri Marcus, ao se lembrar dessa época em que, curiosamente, os dois nunca se apresentavam juntos. Após o sucesso na TV, a dupla está lançando o primeiro CD, Amor sem fim, com músicas românticas, inclusive japonesas.

O karaokê é tão popular no arquipélago que a maioria dos cantores japoneses inclui faixas instrumentais, especiais para karaokê, em seus singles, só para que os fãs treinem em casa.

Esse mercado fonográfico é o responsável pelo surgimento dos wannabe, pessoas aspirantes a cantores que não medem esforços para comprar os CDs de seu ídolos para depois se apresentar em karaokês. Não é à toa que o mercado de karaokê japonês tem cifras astronômicas: existem 487 mil unidades (bares, karaokês box, restaurantes, hotéis e outros locais), que movimentam 872,9 bilhões de ienes (cerca de 7,2 bilhões de dólares) por ano.

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