O mercado brasileiro pela ótica japonesa


Com a assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão, em 1895, as relações entre os dois países começou a se estreitar e, desde então, passou por momentos importantes na história de ambos.

A indústria japonesa no Brasil começou a ganhar força especialmente na década de 50, com o início da industrialização, marcando a primeira onda de investimentos japoneses no país. Mais tarde, a era do “Milagre Econômico” do final dos anos 60 atraiu a segunda onda de empresas japonesas. No início do século 21, novos investimentos na área de energia e combustíveis aproximaram ainda mais o Brasil e o Japão.

Toshio Kashimada, diretor executivo do JOC, da Fujitsu no Brasil

A presença de tantas empresas japonesas no Brasil levou a Fujitsu, empresa de tecnologia da informação e comunicação, a criar uma área específica de atendimento a clientes japoneses: a JOC – Japanese Oriented Customers.

Considerando as diferenças culturais e as as exigências dos padrões japoneses, a empresa de tecnologia encontrou um modelo de atendimento único que tenta conciliar a adaptação das multinacionais japonesas ao mercado brasileiro.

O diretor executivo da área, Toshio Kashimada, está no Brasil há 7 anos e conta, em entrevista à Made in Japan, o que aprendeu com a dinâmica do mercado brasileiro, o que podemos aprender com a cultura japonesa e que, mesmo em tempos de crise, acredita no potencial de crescimento do Brasil.

  • A Fujitsu é uma grande empresa que é conhecida no mundo todo pelas soluções de TI. Quais destes serviços podem ser encontrados no Brasil?

Temos uma gama completa de soluções de TI no Brasil que envolvem a área de plataformas (servidores e armazenamento), biometrias, serviços, soluções bancárias, scanners de imagens, computação em nuvem, entre outros.

  • De que forma a Fujitsu do Brasil atende à demanda das empresas japonesas?

A criação da área Japanese Oriented Customers (JOC) foi estratégica para suprir a demanda de multinacionais japonesas e a suas particularidades no Brasil e na América Latina. Para a Fujitsu, essa área é representativa, não só financeiramente, quanto pelo fato de que geralmente clientes japoneses são os mais exigentes e isso nos desafia constantemente na busca por padrões de qualidade mais altos.

  • A Fujitsu chegou ao Brasil já com este propósito?

A área foi criada há 7 anos e a empresa está no Brasil há mais de 40 anos. A estratégia da Fujitsu é conduzir negócios junto com nossos clientes, como reforçamos no slogan “Moldando o amanhã com você”. A área já cresceu significativamente desde que foi criada. O diferencial é que a JOC dá suporte a empresas japonesas onde quer que estejam no mundo e elas podem usar as mesmas soluções existentes no Japão.

  • Quais desafios você encontrou no mercado brasileiro?

Em geral, a primeira coisa que os clientes japoneses têm que entender é a cultura do país para alinhar as expectativas e as estratégias. Depois disso, eles podem escolher as melhores soluções para as suas demandas, compatíveis com suas expectativas, em termos de valores, e que esteja dentro do orçamento deles. Eles costumam ser mais estratégicos que triviais e isso requer de nós uma compreensão real do negócio de cada um para estruturar a melhor opção que os beneficie. Outro desafio que vejo é em relação aos impostos, porque as nossas soluções são importadas e, às vezes, as altas taxas que precisam ser pagas podem se tornar um problema sério.

  • Quais são os próximos passos para a empresa e quais novos serviços podem ser trazidos para o Brasil?

A Fujitsu pensa em Transformação Digital. Todas as áreas estão sendo redesenhadas para atender a essa nova tendência. Um de nossos lançamentos é o MetaArc, uma plataforma de negócios digitais que permite que os clientes possam aproveitar as possibilidades digitais como Big Data, mobilidade empresarial e a Internet das Coisas (IoT) em uma base global.

  • Levando em consideração as diferenças culturais entre Brasil e Japão, na sua opinião, quais foram os aprendizados que vieram com a sua experiência na Fujitsu Brasil e o que os brasileiros poderiam aprender com a cultura japonesa?

Tenho aprendido muita coisa com a cultura e o mercado do Brasil. Moro aqui há quase sete anos e vejo o quanto o país tem oportunidades de expansão e desenvolvimento. Aprendi principalmente a ser mais flexível para entender os desafios do mercado para que os nossos clientes possam encontrar as melhores soluções. Além disso, o Brasil foi a melhor escola para mim em toda a América Latina. Em relação ao que os brasileiros poderiam aprender com a cultura japonesa, acredito que seja a melhorar, ainda mais, o relacionamento com os consumidores. Na cultura japonesa, costumamos entender que clientes e fornecedores podem e devem aprender juntos, tanto com os acertos quanto com os erros. O importante é encontrar o que é melhor para os dois lados. Se encontramos um problema, vamos nos empenhar para encontrar a melhor solução para resolver e melhorar os resultados e estratégias.

  • Quais são as expectativas para o mercado brasileiro em 2017 e por que ele é importante para a Fujitsu?

A Fujitsu já é a principal empresa japonesa de TI no mundo. No JOC, nosso foco é expandir nossas operações no setor automotivo. Estamos procurando novos clientes para crescer no ano fiscal de 2017 (que começa em abril de 2017). Apesar da crise econômica, a Fujitsu acredita no potencial que o país tem para acelerar e melhorar os negócios e o mercado como um todo. Na nossa empresa, trabalhamos para fazer com que a tecnologia seja parte do desenvolvimento do país.

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