A fatia japonesa da maçã

Capa da edição brasileira do livro

Capa da edição brasileira do livro

O dia 5 de outubro de 2012 marca um ano da morte de Steve Jobs, cofundador da Apple, empresa americana – considerada, por ora – de tecnologia.

O livro Steve Jobs: a biografia, de Walter Isaacson, é um dos mais completos sobre Jobs, que abrange desde fatos da infância e juventude pré-Apple até o difícil tratamento do câncer.

Em algumas de suas mais de 600 páginas, o livro apresenta muitas referências ao Japão.

Jobs, em diferentes momentos da vida, teve algum contato com a cultura oriental: na filosofia, design, tecnologia, culinária, turismo e moda. Não é pouca coisa.

A seguir, destacamos apenas algumas passagens.

Zen-budismo
Desde a juventude, Jobs se interessava pelas doutrinas orientais, sobretudo o hinduísmo e o zen-budismo. Em 1974, ele passou sete meses na Índia, à procura de um guru.

Ao voltar para os EUA, disse que sua percepção havia mudado. “A intuição é uma coisa muito poderosa, mais potente que o intelecto, na minha opinião. Isso teve uma grande influência no meu trabalho”.

O templo Eiheiji fica na província de Fukui

O templo Eiheiji fica na província de Fukui

“Pensei em ir para o Japão e tentar entrar no mosteiro de Eiheiji, mas meu conselheiro espiritual pediu-me para ficar aqui”. Fundado em 1244, Eiheiji é o principal templo do budismo soto-zen.

O monge budista Kobun Chino Otogawa (1938-2002) era esse conselheiro, inclusive tendo celebrado o casamento de Jobs com Laurene Powell em 1991.

O design dos produtos da marca é fortemente influenciado pelo minimalismo zen adotado por Jobs. “Sempre achei o budismo – em especial o zen-budismo japonês – esteticamente sublime”, disse.

“A coisa mais sublime que vi na vida são os jardins em volta de Kyoto. Fico profundamente comovido pelo que essa cultura produziu, e isso vem diretamente do zen-budismo”.

Uniformes
Consta que, em uma viagem ao Japão no início dos anos 90, Jobs perguntou para Akio Morita, então presidente da Sony, por que todos os empregados usavam uniformes.

Morita explicou que, depois da guerra, com a pobreza da população, empresas como a Sony foram obrigadas a fornecer uniformes para os empregados. Com o tempo, isso foi incorporado à cultura de cada empresa, desenvolvendo um vínculo com os empregados.

“Decidi que queria esse tipo de vínculo para a Apple”, disse Jobs. Assim, ele encomendou um modelo para o estilista Issey Miyake.

Foto: CC/ Ben Stanfield

A camisa preta tornou-se uma marca de Jobs em suas apresentações

A ideia, porém, não foi bem recebida em uma empresa americana. De qualquer forma, Jobs tornou-se amigo de Miyake, para quem encomendou algumas camisas pretas de gola rulê.

Miyake fez 100, e o visual camisa preta e calça jeans tornou-se outra marca de Jobs.

Sushi de unagi
Kyoto foi um destino frequente para os períodos de descanso de Steve Jobs e sua família, especialmente a Tawaraya Ryokan, uma das mais tradicionais hospedarias típicas do Japão.

As filhas de Jobs contam que, entre seus pratos favoritos nessas viagens estavam sushi de enguia (unagi) e soba (macarrão).

iPod
Em uma visita à Toshiba, em fevereiro de 2001, os engenheiros japoneses mostraram um novo produto: um drive de 4,5 cm, com capacidade de armazenamento de 5 GB, que seria fundamental para o desenvolvimento do iPod.

Info

Steve Jobs: a biografia
Autor: Walter Isaacson
Tradução: Berilo Vargas, Denise Bottman e Pedro Maia Soares
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2011