A Família Imperial Japonesa no Brasil

OS PASSOS DE AKIHITO

O imperador Akihito

O imperador Akihito


O Imperador Akihito, pai de Naruhito, esteve no Brasil três vezes. Extremamente simpático e quebrando os protocolos, ele se assustou em ver o carinho dos brasileiros. Do lado de cá, a vinda de uma figura tão importante emocionou. Não apenas pela presença da Família Imperial, mas pelo reconhecimento dos japoneses que sofreram e permaneceram no Brasil na tentativa de uma vida melhor.

1967 – O RECONHECIMENTO

Akihito era príncipe-herdeiro quando veio ao Brasil pela primeira vez em 1967

Akihito era príncipe-herdeiro quando veio ao Brasil pela primeira vez em 1967

Os nikkeis acabavam de sair de uma fase difícil. Depois da Segunda Guerra Mundial, muitos acreditavam que o Japão havia vencido, o que provocou um choque com as autoridades brasileiras da época. Anos de conflitos e prisões se seguiram até que a comunidade se restabelecesse. Na época, a vinda do príncipe-herdeiro Akihito não apenas reafirmava os laços entre Brasil e Japão, mas era um reconhecimento do trabalho e sofrimento daqueles que vieram para cá.

Para aqueles que tinham deixado a Terra do Sol Nascente era um reencontro com suas raízes. No dia 22 de maio, Akihito desembarcou em Brasília, depois de passar pela Argentina e Peru. A recepção não poderia ter sido mais calorosa. Oitenta mil pessoas lotaram o Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O escritor Tomoo Handa escreveu em seu livro “O Imigrante Japonês” o depoimento de um agricultor que viu o príncipe de perto. “Brotou fortemente no coração a lembrança da pátria-mãe por causa daquele momento. Talvez os mais jovens não compreendam, mas a vida árdua de quarenta e tantos anos, a mágoa de ter sido destratado durante a guerra, chamado de ‘japão’, permaneciam guardadas num canto do coração. Falando com sinceridade, havia momentos em que sentia complexo de ser japonês, porém, vocês não sabem o quanto me senti reconfortado por aquele momento. Talvez só poderá ser compreendido por aqueles que tenham vivido na pobreza como nós.”

Em uma entrevista no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, Akihito contou suas impressões da América do Sul. Ele disse estar satisfeito por ter visto os imigrantes adaptados cada um em sua sociedade (Peru, Argentina e Brasil) e o respeito conquistado por eles.

1978 – O REENCONTRO

Visita do imperador do Japão, em 1978

Visita do imperador do Japão, em 1978


A segunda visita foi uma homenagem aos 70 anos de imigração japonesa. Akihito chegou em 16 de junho e ficou até o dia 25 do mesmo mês. Yosuke Tanaka, atual diretor do Centro de Estudo Nipo-Brasileiro, lembra da passagem do príncipe-herdeiro por São Paulo. Setenta mil pessoas lotaram novamente o Estádio do Pacaembu e ele ajudou uma equipe japonesa que estava gravando um documentário. “Me senti orgulhoso, poucos teriam a oportunidade de ver uma autoridade japonesa”, comenta. “As pessoas estavam entusiasmadas, com bandeiras na mão, choravam”. Além disso, diziam que esse seria o último grande evento com a primeira leva de imigrantes. Os mais idosos estavam emocionados pois sabiam que não teriam uma oportunidade assim se tivessem ficado no Japão”, conta.

Em dezembro desse ano, em uma entrevista coletiva, o Imperador confessou que o fato mais marcante do ano tinham sido as comemorações no Brasil.

1997 – O CAMINHO DO IMPERADOR

A terceira visita de Akihito na verdade foi a primeira dele como Imperador. Seguindo a lenda de que por onde passa, tudo prospera, o empresário Hirofumi Ikesaki queria que ele percorresse algumas ruas da Liberdade, incluindo a frente de sua loja. Akihito e Michiko fizeram o trajeto que recebeu o nome de Caminho do Imperador.

Ele começa na Rua Tomás Gonzaga, passa Galvão Bueno até a Praça da Liberdade. Ikesaki conta que o caminho foi montado desta forma assim por falta de estrutura. Na época, as associações e até o Consulado não apoiaram a ideia. Mas ele sozinho foi atrás de tudo. Conseguiu grades, enfeitou as ruas com fitas coloridas e fez 2 mil bandeirinhas do Japão e do Brasil.

No dia, estava chovendo. “Imagina todo aquele esforço para não ter ninguém na hora… Então eu saí da loja, fui eu mesmo até a igreja próxima a Praça da Liberdade, comprei dois pacotes de velas, das mais altas possíveis, e pedi para que o tempo melhorasse pelo menos no momento da chegada do Imperador”, lembra.

“Fui na despedida no Ginásio do Ibirapuera com o coração perturbado. Voltei quase uma hora antes”. Logo que chegou no bairro, a chuva foi parando. “No momento da passagem, os dois lados da rua estavam super lotados. Incrível!”. Ainda hoje o episódio o emociona. “Isso foi uma parte especial da minha vida”, diz.