Depoimentos de sobreviventes da bomba atômica
União pela paz
Após 60 anos da explosão da bomba, há uma incessante luta contra as seqüelas desta trágica história. Japoneses que sofreram perdas e passaram pelas terríveis experiências do “gembaku” (explosão da bomba atômica) juntam forças, espalhados pelo mundo todo, a fim de levantar uma única bandeira: a bandeira da paz. No Brasil, quem desempenha essa função é a Associação das Vítimas da Bomba Atômica, fundada há mais de 20 anos por Takashi Morita. Aos 81 anos, Morita preside a entidade e é responsável por estabelecer um diálogo entre as vítimas e o governo japonês. Ele lembra que muitos dos 140 associados hoje eram seus vizinhos na sua cidade natal, Hiroshima.

Morita com os companheiros na época da Segunda Guerra
“Hoje dedico minha vida para propagar a paz. Tudo que aprendi com a guerra é que ela jamais pode ser repetida. As experiências que nós passamos devem acabar com a nossa geração”, afirma Morita. Para ele, o intuito da associação não é apenas lutar pelos direitos das vítimas diretas da bomba, e, sim, representar e dar voz a todas as pessoas que de alguma forma se prejudicaram com ela. “Na época, muitas crianças se tornaram órfãos, sem ter onde morar, sem ter o que comer. E nada podia se fazer, já que a maioria das famílias não estava em condições de fornecer ajuda. Queremos reivindicar os direitos de todos que tiveram suas infâncias marcadas pelo sofrimento do gembaku. Ninguém é mais vítima que ninguém.”
Morita acredita que o jeito mais eficaz de combater as atrocidades é a educação. “Até a Segunda Guerra, aprendíamos nas escolas que o Japão era o país divino. Morrer em combate pelo seu país era uma honra. Não é a toa que existiam os kamikazes. E não é a toa que ainda existem terroristas que amarram explosivos em seus corpos e se matam em nome de seu país. Tudo depende da educação que recebemos desde criança. Acredito que a paz só pode ser alcançada desta forma. A educação é a chave”.
Takashi Morita, 81 anos, de Hiroshima
* Depoimentos publicados na edição 95 da revista Made in Japan.